Como esporte, cultura e lazer ajudam a enfrentar as desigualdades sociais

 

Práticas esportivas, culturais e de lazer contribuem para reduzir vulnerabilidades sociais, promover inclusão e melhorar a qualidade de vida de adolescentes e idosos.

Por Luiz Vieira, Enrico Amaro e Dominique Araújo (*)


(Foto: Enrico Amaro)

A vulnerabilidade social é um problema complexo que afeta muitas pessoas, especialmente adolescentes e idosos, limitando suas oportunidades e o acesso a direitos básicos.

No Brasil, esses dois grupos enfrentam desafios. Os jovens lidam com a pobreza, a falta de acesso à educação e a violência, enquanto os idosos sofrem com o isolamento e a falta de apoio.

Mas há uma luz no fim do túnel: o esporte, a cultura e o lazer se mostram ferramentas importantes para promover a inclusão, o desenvolvimento humano e melhorar a qualidade de vida de todos.

Antes de observar como essa realidade atinge adolescentes e idosos, é importante compreender que a vulnerabilidade social não aparece da mesma forma para todos. Ela muda conforme a idade, o território, a renda, a estrutura familiar e o acesso a políticas públicas. Por isso, analisar esses grupos ajuda a entender como a exclusão se manifesta em diferentes fases da vida.

Leia mais: Da convivência ao cuidado, projetos sociais fortalecem vínculos em diferentes gerações
Leia mais: Barreiras de acesso a atividades esportivas e culturais aumentam vulnerabilidade social


(Foto: Luiz Vieira)

Em 2025, houve um aumento de 38% nos casos de violência contra idosos, com mais de 65 mil denúncias registradas. Muitos idosos vivem com aposentadorias baixas, e o acesso à saúde de qualidade é uma luta constante. Aqueles em situação de rua, por exemplo, têm seus direitos básicos negados, e a falta de escolaridade e as condições financeiras precárias ao longo da vida contribuem para essa vulnerabilidade.

Para muitos adolescentes brasileiros, a fase de descobertas é marcada por dificuldades. Milhões de crianças e adolescentes vivem na pobreza, sem acesso à educação, saúde, moradia e saneamento. Dados recentes da Unicef e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que, em 2023, 28,8 milhões de crianças e adolescentes brasileiros viviam na pobreza e, em 2024, quatro em cada dez crianças e adolescentes de até 14 anos ainda se encontravam nessa situação.

O abandono escolar é comum, levando muitos ao trabalho infantil e à exclusão, e a violência também é uma triste realidade, com milhares de jovens sendo vítimas de crimes. Em 2019, 7,1 mil crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio, e 75,5% desses óbitos foram por arma de fogo.

Além disso, a falta de oportunidades leva à inatividade, e a saúde mental desses jovens é frequentemente afetada por tanto estresse.

Já a população idosa no Brasil está crescendo rapidamente e, com isso, vêm novos desafios. Projeções indicam que, até 2025, o Brasil terá 31,8 milhões de pessoas com mais de 60 anos. A violência contra idosos tem aumentado, e o isolamento social é um problema sério que afeta a saúde e o bem-estar, principalmente entre os mais pobres.

Ferramentas de inclusão

Diante desses cenários, o esporte, a cultura e o lazer surgem como verdadeiros agentes de mudança. Eles não são apenas passatempos, mas espaços de aprendizado, desenvolvimento e resgate da dignidade.

O esporte é fundamental para os adolescentes, ensinando trabalho em equipe, liderança, comunicação e resolução de conflitos. Além de fazer bem para o corpo e a mente, afasta os jovens do sedentarismo e de doenças.

Em comunidades carentes, inspira valores humanos e cidadania, oferecendo um caminho para a inclusão e quebrando estereótipos.

(*) Sob supervisão e edição do Prof. Me. Caíque Toledo