Barreiras de acesso a atividades esportivas e culturais aumentam vulnerabilidade social

 

Pesquisa mostra que a dificuldade de acesso a atividades de esporte, cultura e lazer afeta diretamente a qualidade de vida de adolescentes e idosos e amplia situações de vulnerabilidade social.

Por Luiz Vieira, Enrico Amaro e Dominique Araújo (*)


(Foto: Enrico Amaro)

É inegável o poder transformador do esporte, da cultura e do lazer na vida das pessoas. No entanto, quando essas atividades essenciais estão ausentes, o impacto na vulnerabilidade social de adolescentes e idosos pode ser devastador.

Pesquisa realizada para este dossiê com 20 participantes que convivem diretamente com idosos revela um cenário preocupante sobre o acesso e a percepção desses benefícios, destacando o vazio deixado pela falta de oportunidades.

Os resultados são da pesquisa Papex (Projeto de Aplicação, Pesquisa e Extensão) produzida por alunos do segundo semestre de Jornalismo da Unitau (Universidade de Taubaté) , que buscou entender como a participação em atividades de arte, cultura e lazer influencia a qualidade de vida e reduz a vulnerabilidade social dos idosos, são claros.

Embora 100% dos respondentes acreditem que essas atividades melhoram a qualidade de vida, o humor e o bem-estar emocional dos idosos, e a maioria, 12 de 20, tenha avaliado o impacto como muito bom ou ótimo, a realidade do acesso é bem diferente.

Ao todo, 12 dos 20 participantes afirmaram que os idosos não têm fácil acesso a essas atividades, revelando uma grande lacuna entre a percepção do benefício e a disponibilidade real.

As principais barreiras identificadas pelos participantes da pesquisa foram a falta de informação, com 8 de 20 respostas, e a falta de opções, também com 8 de 20 respostas, seguidas pela dificuldade de transporte, com 4 de 20 respostas.

Isso indica que não é apenas a existência de atividades que importa, mas também a forma como elas são divulgadas e a facilidade de acesso a elas.

A pesquisa, que teve como respondentes familiares de idosos, ou seja, pessoas com alto nível de contato e observação direta, reforça a legitimidade dessas percepções. Todos os 20 respondentes são familiares de idosos, sendo que 8 convivem diariamente com eles, 8 frequentemente e 4 às vezes, o que demonstra conhecimento sobre a rotina e as necessidades desse público.

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(Foto: LuizVieira)

Essa ausência de acesso a atividades de esporte, cultura e lazer tem consequências diretas e preocupantes.

Para os adolescentes, a falta de espaços seguros e estimulantes pode levar ao aumento da inatividade, do isolamento social e da exposição a situações de risco.

Sem o esporte, perdem-se oportunidades de desenvolver habilidades sociais, disciplina e saúde física. Sem a cultura, a criatividade e o pensamento crítico podem ser subdesenvolvidos, e a autoestima pode ser prejudicada. Sem o lazer, o tempo livre pode ser preenchido por tédio e influências negativas, em vez de ser um período de desenvolvimento e bem-estar.

Para os idosos, a situação não é menos grave. A ausência dessas atividades aprofunda o isolamento social, que já é um problema significativo para essa faixa etária. A falta de estímulo físico e mental pode acelerar o declínio cognitivo e a perda de autonomia.

A ausência de oportunidades de interação social e de expressão cultural pode levar à depressão e à diminuição da qualidade de vida. A pesquisa deste dossiê, ao destacar a dificuldade de acesso e a falta de opções, sublinha que o problema não é a falta de reconhecimento dos benefícios, mas a falha em tornar essas atividades uma realidade para quem mais precisa.

É fundamental, portanto, que haja um esforço conjunto para reverter esse quadro. Melhorar a divulgação e o acesso à informação, expandir a oferta de atividades culturais e esportivas locais e investir em transporte e acessibilidade são passos cruciais.

A ausência de esporte, cultura e lazer não é apenas uma lacuna na agenda de entretenimento; é um fator que agrava a vulnerabilidade social, privando adolescentes e idosos de oportunidades essenciais para um desenvolvimento pleno e uma vida digna.

 

Confira o episódio do Podcast com a psicóloga e professora da Unitau (Universidade de Taubaté), Paula Klier: 


(*) Sob supervisão e edição do Prof. Me. Caíque Toledo