Grupos vítimas de maior exclusão estão garantindo seus lugares no pódio da vida
Por Max Marques (*)

A boxeadora argelina Imane Khelif, alvo de preconceito durante os jogos após desinformação divulgada pelas redes (Foto: Olympics)
Dentre as 20 medalhas do Brasil em Paris 2024, 12 foram conquistadas por mulheres, aumentando o debate sobre a igualdade de gênero e mostrando que, apesar de ainda haver dificuldades, trata-se de um sonho possível para os grandes eventos esportivos. O significado histórico das Olimpíadas é o de uma competição com o intuito de unir nações, focando no respeito aos direitos humanos – e aos poucos as notícias nos reforçam essa realidade.
A edição de Paris contou com a presença de 195 atletas abertamente da comunidade LGBTQIA+, o que que, segundo a Outsports, revista focada em igualdade nos esportes, é um recorde em edição olímpica. De acordo com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas) em seus tópicos 5 (Igualdade de Gênero) e 10 (Redução das Desigualdades), a equidade advém de um processo, seja ela de gênero ou social.
Há divisão mais igualitária no número de atletas, sejam de quais gêneros forem, de acordo com o Comitê Olímpico Internacional. A maior porcentagem de conquista de medalhas conquistadas por mulheres, a presença de um maior número de atletas LGBTQIA+ e um pódio composto por mulheres negras periféricas são exemplos de casos que causaram admiração na comunidade esportiva e da mídia especializada.
Apesar da discussão sobre a identidade de gênero da atleta argelina Imane Khelif, medalhista de ouro do Boxe, ter surgido de uma desinformação do público, que a acusava falsamente de não ter nascido mulher, o debate indispensável sobre a diversidade das Olimpíadas de 2024 deu realce à presença plural do grupo LGBTQIA+.
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| Robert Dover, considerado o primeiro atleta olímpico abertamente homossexual (Foto: Olympics) |
Após as Olimpíadas de Tóquio 2020 contarem com a presença do pioneirismo de atletas transexuais, houve à época uma repercussão negativa e polemização de parte do público, evidenciando ainda mais a necessidade de aumentar a normalização das relações sociais entre as diversas segmentações da humanidade, na busca pela igualdade ampla e justa.
“Os números refletem uma aceitação crescente no mundo dos esportes, especialmente para atletas mulheres, apesar de o total de olímpicos LGBTQIA+ assumidos ainda estar abaixo de 2% do total esperado de cerca de 10.700 participantes”, afirma a pesquisa da Outsports.
No horizonte, as Olimpíadas de Los Angeles em 2028 buscam apontar para uma visão de esperança e equidade. “Com orgulho, sou assumido em todos os Jogos desde 1988 em Seul, Coreia. Posso dizer que o impacto que vocês [atletas LGBTQIAP+ assumidos] estão causando em jovens atletas gays, para encontrar a mesma coragem que vocês demonstraram ao serem publicamente autênticos, é imensurável”, afirmou Robert Dover, atleta olímpico americano da Equitação, em entrevista ao Outsports.
(*) Sob supervisão e edição do prof. es. Caíque Toledo
