Cores e sabores pouco explorados nas mesas taubateanas

Há um universo de frutas, legumes e verduras que ainda precisam ser descobertos no Mercadão de Taubaté. São vários os alimentos que ainda não caíram no gosto do povo e então fica a curiosidade sobre os motivos pelos quais apenas alguns deles são os preferidos nas feiras.

por Valeska Migotto

Fundado em 1889, o Mercado Municipal de Taubaté continua sendo um dos pontos gastronômicos e turísticos mais interessantes da cidade. No ano em que completa 130 anos, é possível ainda, a cada visita, descobrir e aprender novas coisas.

De acordo com o nutricionista Ronaldo Ortiz, somos culturalmente habituados a consumir certos tipos de comida. Resistimos às mudanças alimentares por medo - de não gostar, de não fazer bem – mesmo antes de provar. Há diversos produtos como o maxixe, tamarillo ou lambarizinho que nunca ouvimos nem o nome, mas que oferecem benefícios à saúde.

Em um único passeio em meio ao Mercado Municipal, conversando com feirantes, é possível identificar pelo menos vinte nomes de produtos exóticos, advindos de outras regiões do Brasil ou até de fora. Desses, alguns foram apresentados às lentes da câmera para essa matéria.

“As pessoas perguntam se é estranho ou azedo e alguns pedem para provar. Outros não só levam, como indicam e voltam” brincou a feirante Mariele Prezoto, sobre a venda do Tomate de Árvore. Sedônia Santos de outra banca, confirma que o tamarillo, como também é conhecido, além de bonito é saboroso, mas confessa que a aparência e cheiro dos alimentos influenciam muito na hora de provar algo novo.

O maxixe não é muito atrativo com sua coloração verde e espinhosa. O feirante Edivaldo Santos explica que apesar de lembrar um tipo de pepino, ele tem gosto forte. “O nordestino, o nortista e o mineiro vem certo na banca atrás do maxixe”, completa. O broto de bambu surgiu recentemente como opção de planta alimentícia não convencional, a chamada PANC, assim como a folha lambarizinho que empanada e frita tem sabor do peixe.

Fernando Kimura, se orgulha da “banca das novidades”. O título foi conquistado pelo trabalho dos pais de Fernando, imigrantes japoneses que trazem novidades para Taubaté há 60 anos. Em sua banca estava o Noni, fruto de aparência peculiar e cheiro duvidoso, é procurado pelos orientais pelas suas propriedades medicinais ou pelos curiosos.

O nutricionista ressalta a importância de explorar sabores, cores e texturas diferentes, afinal nem todos os nutrientes, vitaminas e minerais são encontrados num único alimento. Ronaldo lembra que muitas pessoas mal conhecem a alimentação básica brasileira, é preciso variar a dieta para garantir seus benefícios. Claudio Carvalho, passando pela feira, ouviu a conversa e resolveu arriscar. Comprou uma unidade do tomate de árvore para experimentar. Será que ele vai aprovar?