Médico explica riscos dos métodos contraceptivos


Para profissional, saber se o anticoncepcional é benéfico ou maléfico depende da necessidade da mulher e do seu organismo

Filho de Libaneses João Saad Gibran exerce a medicina há 50 anos. Nascido em Viradouro (SP), formou-se na Faculdade de Ciências Médicas, atual Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização em Ginecologia e Obstetrícia. 
                                                                               
   Por Rafaéla Ribeiro



 João Gibran é especializado 
em ginecologia há 50 anos
Foto: Rafaéla Ribeiro
Gibran recorda que, na sua época de formação, estudar era mais difícil, pois não tinha residência médica e era necessário aprender por esforço próprio, fazendo estágio em hospitais. O seu primeiro atendimento foi na policlínica de Botafogo, na capital fluminense, onde pode aprender muito sobre ginecologia e essa experiência foi decisiva para escolher sua especialização. Gibran acredita que nasceu para ser médico e se orgulha da profissão. Recentemente, ele foi homenageado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), pelo seu cinquentenário na medicina. Em entrevista, o médico fala sobre os métodos contraceptivos e os cuidados que devem ser tomados em cada uso.

O que é anticoncepcional e quais são seus tipos?
Geralmente, é a combinação de dois hormônios – o estrogênio e progesterona – que inibem a ovulação. Há diversos tipos de pílulas, as mais receitadas são: pílula monofásica, que possui em sua fórmula estrogênio e progesterona com a mesma dosagem. A utilização deve ter início entre o primeiro e o quinto dia da menstruação e termina quando a cartela acabar. Então, é necessário parar por sete dias. A minipílula só possui progesterona em sua composição. É indicada para mulheres que estão amamentando e querem evitar uma nova gravidez. E a multifásica tem combinação de hormônios diferentes, para diferenciar dosagem e o ciclo. Existe também o anticoncepcional adesivo, que deve ser colocado em contato com a pele da mulher, para que os hormônios sejam liberados na circulação de forma continua durante sete dias. Normalmente, a mulher opta por colar em uma parte do corpo que não descole. Existe também o anel vaginal, que é um pequeno anel flexível que em sua composição contém etonogestrel e etinilestradiol. 

Quais os cuidados que as mulheres devem ter antes de tomar a pílula? 
É preciso saber o histórico dela, se teve algum problema vascular, se tem pressão alta, diabetes, é importante fazer o exame da mama, aí sim, ver qual é o melhor a ser receitado. O maior erro que as mulheres cometem é tomar a pílula sem a prescrição de um médico.

Quais são os benefícios de utilizar o anticoncepcional? 
Regula o ciclo menstrual, diminui a acne e a intensidade e frequência das cólicas menstruais, controla os sangramentos intensos, é a forma contraceptiva mais barata e evita a gravidez. 

Quais são os riscos que o uso do anticoncepcional pode trazer para a saúde? 
Pode causar AVC (acidente vascular cerebral), trombose venosa profunda e/ou infarto, em especial nas mulheres fumantes, ou aquelas acima de 35 anos. Pode causar também retenção de líquido, diminuição da libido, entre outros problemas.

Qual a diferença entre o anticoncepcional injetável e o em pílula?
A principal diferença está na composição e na maneira de usar. A pílula que tem que ser tomada via oral, diariamente. Enquanto, na injeção os hormônios são liberados lentamente, fazendo com que sua duração seja longa. Existe a injeção trimestral, que é indicada para mulheres que não podem ou não desejam o uso do estrogênio, pois sua composição só possuiu progesterona. E a injeção mensal, que possuiu o mesmo mecanismo de ação da pílula e seu efeito tem duração de 30 dias.

Quais são os casos que o anticoncepcional serve como forma de tratamento? 
Pode ser usado para tratar ovário policístico, endometriose, para quem tem menstruação irregular.
 João Gibran explica quais são os tipos
 de anticoncepcionais disponíveis para uso 
Foto: Rafaéla Ribeiro

Tem uma idade mínima para começar a utilizar o anticoncepcional?
Não, mas recomenda-se começar a utilizar o mais tarde possível. 

Existem mulheres a quem não se recomenda utilizar o anticoncepcional e quais são as outras formas de contraceptivos que elas podem usar? 
Sim, o estrogênio é contraindicado para fumantes, mulheres que têm problemas circulatórios e que já tiveram trombose. É necessário antes de tomar a pílula realizar exames para ver se é possível ou não tomar. Nesses casos, existem outros contraceptivos que podem ser usados como, por exemplo, o DIU (Dispositivo intra-uterino) de cobre e diafragma, que são dispositivos que são inseridos dentro do útero, ambos impedem a penetração dos espermatozoides, não permitindo seu encontro com o óvulo, dependendo do produto ele dura de 5 a 10 anos. A mais conhecida forma de contracepção é a camisinha, que serve como uma barreira que impede a ascensão dos espermatozoides ao útero, evitando uma gravidez indesejada, além de evitar as doenças sexualmente transmissíveis.

Quais hábitos ajudam a melhorar os problemas que envolvem a parte hormonal ou podem evitar doenças? 
O exercício físico, porque atua em fatores que alteram os hormônios como estresse, sobrepeso e boa alimentação. Existem alimentos específicos que ajudam a equilibrar os hormônios, como brócolis, sementes de linhaças, entre outros. Para doenças como ovários policísticos essas recomendações são indispensáveis.