Sonhar é bom, mas a aventura dá estímulo para viver

Luciana afirma que realizou a primeira apresentação de palco, aos 14 anos de idade, no Colégio Anglo Latino de São Paulo

Persistente e correta são características da personalidade da professora que é teimosa quando quer fazer coisas da forma correta. O convite de uma amiga fez com que Luciana se envolvesse no universo do Pole Dance, em seguida veio com a mesma intensidade: o aprendizado e a profissionalização da Lira e do Tecido Acrobático.



Por Bianca Parente

Foto: Arquivo Pessoal
Digite a frase “dança de salão em Taubaté” no Google, a academia Passos Centro de Dança, liderada pelo casal Luciana Aquinoga e Fernando de Oliveira, que oferece aulas além do forró, samba, soltinho e bolero. O portfólio do casal trazia novas modalidades de danças acrobáticas, como Pole-Dance, Lira e Tecido Acrobático, graças à formação de Luciana. A habilidade da profissional com a dança que, começou aos 13 anos para acompanhar o pai na Dança de Salão, em Cafelândia (SP), sua cidade natal. Passou a infância com os pais e mais dois irmãos, na capital, construindo a vida dentro de um apartamento ao longo do ano. Nas férias de julho, dezembro e janeiro, a família retornava para a pequena cidade onde ela aproveitava para brincar com outras crianças de taco, esconde e esconde e subir em árvores.

Nascida no interior paulista, no dia 16 de abril de 1984, Luciana Aquinoga de Mello, filha de Lourdes Naoko A. de Mello e Flávio Villalva de Mello passou a adolescência também em São Paulo. Luciana estudou o Ensino Médio próximo de casa, não era uma aluna nota 10, mas sabia da importância dos estudos devido à educação de seus pais. “Meus irmãos gostam muito mais de estudar em relação a mim, mas eu estudava, porque sabia da importância”. Com 19 anos de idade, Luciana decide fazer Tecnólogo em Marketing, na Faculdades Associadas de São Paulo (FASP), não sabia exatamente o que fazer, escolheu o curso por ser uma área abrangente.

Nesse mesmo período, ela trabalhava no estúdio de propaganda de uma banda da cidade, mas na época Lourdes iria para o Japão e Luciana foi junto para passar alguns meses. “A princípio minha mãe ia comigo para ficar um mês e eu iria ficar três meses, só que na época no dia ela não conseguiu ir e acabou que eu fiquei sozinha”. Luciana trabalhava de 12 a 14 horas por dia e ganhava muito bem na linha de montagem de sinto de segurança da empresa Tanaka e, por isso resolveu ficar por três anos no país, especificamente em Shiga. No início, ela morou no apartamento de dois quartos, uma cozinha e um banheiro. O pai, Flávio de Mello, mandava dinheiro para que Luciana pudesse comprar um computador e pode conversar com a família, mas cerca de três meses ela já começava a se estabilizar financeiramente. Morou em outros lugares, mas quando chegou o último ano, aos 21 anos, ela decidiu não renovar o visto e retornar ao Brasil, pois já estava cansada da rotina e com saudades da família.

De volta para a capital paulista, Luciana sabendo que não podia ficar parada em casa, resolveu fazer Pós- Graduação em Turismo e Hotelaria, na Universidade Paulista (UNIP), pensava que era uma área que gostava, mas não seguiu em frente. Então, resolveu fazer uma prova para o antigo Unibanco, atual Itaú, passou e por lá ficou dois anos, na Avenida Paulista. “Nessa época, eu fiz a NBA em Finanças e Banking para subir de cargo. Só que eu voltei a dançar, porque no banco eu só entrava às 10h”. Conhecida pelos bailes a noite, Luciana afirma que saiu do serviço quando virou o Banco Itaú, pois ela havia sido transferida para uma região muito longe de casa e perderia mais de três horas no trânsito. Além da distância, ela não estava disposta a esse sacrifício, pois havia guardado dinheiro que conquistou ao longo dos três anos no Japão. A partir daí, Luciana que, já dava aulas particulares, resolveu entrar “de cabeça” no Clube Latino Espaço de Dança. 

Foto: Arquivo Pessoal

A jovem trouxe mais uma vez novidade para a vida. Ela não quis saber. “Eu estava muito feliz, porque era algo que eu gostava de fazer e não tinha tanta cobrança como no banco, não tinha metas como tem no banco, mas ao mesmo tempo, para os meus pais era o cúmulo do cúmulo”, brinca no bate-papo. Nesse momento, ela conheceu Fernando de Oliveira, seu atual esposo, que em poucos meses namorando, engravida. Aos 26 anos, Luciana realiza o sonho de ser mãe cedo, mas na época entrou em desespero, porque não tinha muito dinheiro. Fernando abraçou a ideia de ser pai e pagava as contas já que ele trabalhava em três escolas. No Clube Latino teve muitas experiências gostosas, viagens e realização de espetáculos, ensaiava de duas e a três vezes por semana, durante a três a quatro horas no período da tarde e, nos finais de semana fazia apresentação de graça para divulgar o nome da companhia.

CONQUISTAS

Enquanto estava no final da gravidez, Luciana realmente parou de dançar e se dedicou a vender roupas infantis importadas dos Estados Unidos pela a internet. Continuou vendendo roupas até realizar o sonho de abrir uma escola de Dança de Salão, a partir disso o casal resolve vir para Taubaté. Após a gravidez e morando há três anos na cidade, Luciana volta a dançar e participa de competições que venceu no campeonato de Samba de Gafieira, em Taubaté no ano de 2012 e, ficou na terceira colocação por equipe, no Festidança, em São José há dois anos.

Foto: Arquivo Pessoal
A trajetória de vida de Luciana trouxe mais responsabilidade por conta da criação do filho Fernando, de 6 anos, e também na administração da sua própria academia, por isso ela destaca que há dificuldades na Dança de Salão como, a estabilidade financeira, porque a rotatividade de alunos acontece a todo momento e também é difícil conseguir a harmonia entre os próprios profissionais da área. A professora garante que as competições trazem visibilidade para o nome da escola, mas é preciso dar aulas e se aperfeiçoar para ter o retorno financeiro, por isso resolveu fazer cursos de pole-dance para atrair novos alunos. Outra conquista, além da academia de dança foi reunir 16 alunos para fazer parte de uma Companhia de Dança, na cidade de Taubaté.

Atualmente quem administra as aulas de Dança de Salão é o marido e, mais outros profissionais da escola, porque Luciana se dedica apenas às aulas de pole-dance, Lira e Tecido Acrobático. Ambos trabalham no mesmo ambiente, mas em salas diferentes é que o casal segue a rotina de trabalho juntos. Luciana, aos 32 anos, garante que é conhecida como “a brava” entre os alunos, mas ela garante que é assim para que a vida possa se encaminhar bem tanto na vida pessoal como na profissional. “Eu sou a chata, mas quem me conhece um pouquinho sabe o tamanho do meu coração”, ressalta a professora.