A estudante Malu Sader embarcou para o Quênia para trabalhar como voluntária em um vilarejo do país, no início deste ano.
Com o sonho de fazer a diferença no mundo, a jovem estudante Maria Luísa Sader Teixeira, de 18 anos, decidiu embarcar em uma aventura memorável e marcante em sua vida, que mudaria o seu jeito de ver o mundo e as pessoas ao seu redor.
Por Marcelo Ramos
Malu, como ela prefere ser chamada, juntamente com sua prima, Laura Chaloub, decidiram viajar para fazerem um trabalho voluntário na África, com o intuito de trabalharem em escolas com crianças carentes. Com uma alma caridosa, um sorriso que encanta a todos e uma personalidade marcante, a menina natural de Sorocaba também é nadadora profissional e o que mais a motivou para fazer esta viagem foi o interesse em conhecer novas culturas e o interesse em ajudar os outros. Com traços extrovertidos, as duas jovens conquistaram as crianças e os coordenadores da agência que assistiram na realização deste sonho, tornando esta experiência inesquecível.
Vale Repórter: O que seus pais acharam da ideia? Eles te apoiaram?
Malu Sader: No começo não gostaram, acharam perigoso. Depois de muita insistência e provas de que ficaria tudo bem, apoiaram ao máximo.
VR: Qual outro apoio você teve para fazer esta viagem?
MS: Apoio da família em primeiro lugar, minha tia apoiou e tornou tudo possível e meus avós também apoiaram bastante.
VR: Como era o lugar em que você se hospedou?
MS: Fiquei em uma casa de uma família que contava com quatro membros, a mãe, irmã da mãe e duas crianças, muito fofas por sinal! Era um bairro um pouco afastado na capital Nairobi, muito diferente do que eu estava acostumada. A casa em que eu fiquei era uma das poucas coisas de asfalto/concreto por lá. O bairro era cheio de boas energias e boas pessoas!
VR: Quais brasileiros trabalharam com você? Em que?
MS: Minha prima e eu éramos as únicas brasileiras. E trabalhamos juntas todos os momentos.
VR: Quais experiências exóticas/nativas você vivenciou? Como foi?
MS: A comida foi o primeiro contato nativo que tive! Muito boa por sinal, porém depois de um tempo enjoava, pois era sempre a mesma coisa, não dispunha de muitas variedades. Tive contato com uma tribo nativa que foi uma experiência muito bacana, dancei a dança deles, me pintei como eles e até fiz as tatuagens deles (que eram marcadas com fogo)
VR: Como era o seu dia-a-dia durante a semana?
MS: Acordava de manhã as sete, tomava café e por volta das oito e meia eu ia para uma creche, onde tinha por volta de 16 crianças de 1 a 3 anos, os pais as deixavam lá enquanto trabalhavam. Lá a gente brincava, limpava, cozinhava e alimentava eles! Por volta das três horas, eu me dirigia ao Mary Faith Center, que é uma casa onde Mary acolheu por volta de 50 crianças abandonadas e frutos de abusos sexuais. Mary construiu uma escola para essas crianças e no período da tarde eu dava aula para as crianças, que eram divididas por idade. Ensinava inglês, matemática e ciências. Por volta das seis eu voltava para casa para jantar e dormir.
VR: O que você fazia para se divertir? (Fins de semana e dias de folga)
MS: No meu primeiro fim de semana eu fui visitar um safári! Ficava a 8 horas de Nairobi e lá acampamos e de dia víamos os animais em vida livre nas savanas. Nos meus outros fins de semana eu saia com os outros voluntários com quais fiz amizade, íamos a barzinhos locais, ou até a cidade para comer um fast-food!
VR: Como foi a adaptação a uma rotina/vida tão diferente quanto a que você vivia?
MS: Quando cheguei foi um total choque de realidade e eu realmente achei que não fosse me adaptar nem um pouco. Passaram-se três dias e eu já me sentia em casa. Eles são muito receptivos lá, eu me senti muito à vontade! A parte do banho foi o que eu mais demorei a me acostumar, eles não têm tanta disponibilidade de água como nós, por isso os banhos eram raros e sempre de bacia e gelados. Tomei seis banhos em duas semanas e meia. Mas depois de um tempo eu percebi que era impossível ficar totalmente limpo lá então desencanei um pouco e curti!
MS: Lá eles têm o dialeto deles, que é o Swahili (não muito difícil de aprender por sinal), porém todo mundo dos cinco anos pra cima sabe se comunicar perfeitamente em inglês, que é a segunda língua deles. As crianças menores era mais complicado porque elas não entendiam nada! Então era na base da mímica e das poucas coisas que aprendi a falar em Swahili!
VR: E a dificuldade com alimentação? Como foi para você?
MS: Não foi difícil, eu sempre gostei de provar tudo então meio que fui experimentando e gostando! O problema era a quantidade e variedade, eles comiam quase sempre as mesmas coisas, que não tinham gosto de nada, por exemplo, o Ugali, que é uma massa de farinha de milho e água apenas.
VR: Como foi a despedida?
MS: Emocionante e bem triste. Eu realmente não queria deixar aquele lugar, me apaixonei tão rapidamente e queria ficar mais tempo! Na escola, as crianças fizeram uma música pra mim, bem bonita, e me fizeram uma pulseira com a bandeira deles e um colar. Também deram abraços um por um, e fizeram uma linda homenagem!
VR: Qual foi o seu maior aprendizado ao longo da viagem?
MS: A maior coisa que aprendi e que irei levar para minha vida toda é a gratidão. Hoje em dia tendemos a reclamar muito das coisas sem realmente saber o quão privilegiado nós somos. Lá eles têm tão pouco, mas vivem do melhor jeito possível, sempre positivos, sorridentes e simpáticos. Eu aprendi muito com eles a aproveitar a vida ao máximo e sempre ser grata com o que tenho. Reclamar menos e viver mais!
VR: O que você mudou na sua vida após esta experiência?
MS: Voltei com certeza uma pessoa mais tolerante, com uma visão do mundo totalmente diferente, julgando menos as pessoas, reclamando menos dos meus problemas porque sei que existem coisas mais importantes do que se preocupar.

