Com passagem rápida pela TV, Twyla Correia faz shows pela região com a banda e solta sua voz aguda bem ao estilo do rock
Dona de uma voz explosiva, a cantora Twyla Giaquinto Correia, de 29 anos, já tem diversos fãs e mais de 11 mil curtidas na página oficial do Facebook. Filha de músicos e influenciada por música desde pequena, Twyla nasceu em São Paulo e o Rock and Roll foi só uma das maneiras de uma simples paulistana se mostrar para a carreira musical.
Por Jeferson Pereira
Por Jeferson Pereira
| Twyla Correia foi uma das representantes do Vale do Paraíba no programa “The Voice Brasil” da Rede Globo |
Em 2015, cantando uma música de Aretha Franklin, a cantora impressionou com sua voz e com diversos agudos os jurados do “The Voice Brasil”, reality show musical da Rede Globo, inclusive o jurado que acabou tornando-se técnico da participante, o cantor Lulu Santos. Entretanto, a carreira de Twyla Correia não foi tão fácil como alguns podem pensar. Ela já cantou em diversos lugares inusitados – como barzinhos, casamentos, shoppings e até mesmo em velório – até ser conhecida nacionalmente. Em entrevista exclusiva, a cantora diz que quer ficar um pouco mais perto dos fãs e mostrar um lado que nem todos conhecem.
O que a música representa para você?
Twyla Correia - A música é minha vida, eu não sei o que eu seria de mim sem ela. São 24 horas ouvindo música, a gente tem que gostar muito daquilo que faz, né? Música é tudo de bom, vamos combinar... Acho que não tem uma pessoa no mundo que não goste de música, só se for muito louco (risos).
Você se inspira em algum cantor para cantar? Por quê?
Nossa, milhares... Eu gosto muito do estilo que a Amy [Winehouse] faz, só que a Amy, esse estilo não é dela, né? Ela é uma copiazinha de umas cantoras que eu gosto muito, como a Aretha Franklin... Então, na verdade, essa coisa é bem antiga, mas é mais ou menos essa praia aí... Gosto muito do Ray Charles também, do André Mattos e do André Leite, que é aqui da região, que eu adoro de paixão, sou fã dele e do Joe Cocker.
Qual foi a apresentação mais marcante da sua carreira?
O “The Voice”, sem dúvida (risos), não tem nem o que dizer, né? Foi muito difícil cantar, porque foi uma mistura de responsabilidade com emoção, com medo, com tudo. Eu achei que fosse morrer (risos) e aquela coisa que eu até comentei na minha apresentação, de sentir o corpo inteiro tremendo... Gente, aquilo foi real, eu estava tremendo inteira (risos). Foi muito punk.
O que o álbum “Rock and Blues” representa para você?
Ah, foi o início de tudo, né? Foi uma fase em que eu resolvi gravar uns demos de algumas músicas, de versões que eu gosto demais, que foram influentes, fortes, na minha formação. Um dia, eu fiz uma brincadeira que fui gravar uma “demo” e todo mundo começou a pedir na internet: “Twyla quero seu CD, quero seu CD”. Não eram CDs assim, pra venda, não eram CDs autorais nem nada, era um CD promocional e todo mundo queria... Foi uma brincadeira que deu certo e é legal saber que as pessoas, que são aqui da região e que apoiam seu trabalho, querem te ouvir, querem você um pouquinho aqui, dentro do carro (risos).
E como surgiu a ideia de se inscrever para o “The Voice Brasil”?
Então, eu tenho duas amigas loucas que me inscreveram. Não fui eu que me inscrevi, eu nunca nem imaginei que os caras iam me passar para eu aparecer no “The Voice Brasil”, imagina isso nunca ia acontecer... Ainda faltavam 20 minutos para acabarem as inscrições e eu estava cantando naquele momento. Daqui a pouco, chegou a mensagem no meu celular: “Sua inscrição foi concluída com sucesso”. Aí eu falei: “Meu, vocês são loucas, isso não vai acontecer nunca”. Deu 15 dias e eles me ligaram. E foi tenso, quase enfartei (risos).
![]() |
| Para Twyla Correia cantar é uma arte, um profissional da música deve ter fé em Deus e humildade acima de tudo |
Por que você escolheu Lulu Santos como técnico?
Então, o Lulu, eu sempre fui muito fã dele desde pequena, né? E eu acho que ele era o cara que ia entender mais ou menos o lance da parada Rock and Roll ali com Blues, Pop, com tudo misturado, porque ele é bem assim, é bem versátil. Então, eu acho que ele iria entender melhor minha versatilidade musical (risos).
Quando ainda estava no programa “The Voice Brasil”, você realizou pocket shows aqui na região.
Como foi esse contato com o público depois das audições?
Ah, surreal. Porque você vive aqui, trabalha aqui toda semana e sempre tive carinho do público. Mas aquele furor assim, aquela paixão, aquela febre, aquele calor da apresentação, eu nunca imaginei que eu ia passar por isso. E eu vi todo mundo ali pulando na frente do palco e gritando meu nome e todo mundo me conhece. Meu, eu queria chorar, mas eu não parava de rir e fez uma fila imensa para tirar foto. Eu falei: “Gente, eu nunca imaginei isso na minha vida”. Os seguranças queriam me tirar porque eu tinha que entrar no camarim, mas eu não entrei. Fiquei mais de duas horas tirando foto. Teve uma hora que eu estava com câimbra na bochecha de tanto rir (risos).
Você tem mais facilidade em cantar músicas em inglês?
Então, não é que eu tenho mais facilidade em cantar em inglês, é que o inglês pro estilo de música que eu canto é mais sonoro. A música brasileira é maravilhosa, mas eu acho que, infelizmente, o Brasil tem essa dificuldade de aceitar as diferenças. Todo mundo quer um novo, mas ninguém quer nada muito diferente. Então, você chega cantando alguma coisa com mais Rrrrrrr, mais drive ou mais grave ou mais agudo, o pessoal estranha, porque não está acostumado.
Além de ser cantora, você também se dedica a um trabalho social que é cuidar de cães e gatos abandonados.
Como funciona o seu projeto?
É punk (risos). A minha família é louca por bichos, a gente mora em chácara, tem um terreno grande e dá para abrigar os animais. Todo mundo ajuda, né? Mas o forte, o bruto mesmo, sou eu e minha mãe. Então, é difícil, estou com 86 cachorros e dois gatos e é triste, porque você pega animais em situações deploráveis e você cuida, fica bonitinho, e você doa e eles levam uma parte da gente. Mas eu fico feliz por ver eles sendo bem tratados, é muito difícil adotar. Eu tento me dedicar às minhas duas paixões, que são a música e os animais, mas é bem difícil, é um trabalho pesado.
E de onde surgiu a vontade de se tornar uma protetora de animais?
Os animais dependem de compaixão para sobreviver. Então, eu acho que é essa coisa de lutar por alguém que não tem como pedir. Não dá para explicar, acho que a gente nasce com isso, é um presente de Deus. Você entender e passar caridade adiante. Está faltando muito isso nas pessoas.

