Canoísta joseense fala sobre a sua carreia no esporte

Conhecido pelos amigos como “o louco da cachoeira”, o atleta profissional de caiaque extremo já desbravou todos os continentes do planeta

Barcelos Formado em Educação Física, Pedro Oliva Criscuolo sempre soube que seu destino estava longe de escritórios e rotinas de pessoas comuns. No colégio, suas matérias favoritas eram Geografia e Educação Física. Já praticou diversos esportes, como kung fu, futebol e ginástica olímpica. Mas sua paixão mesmo é o caiaque.


Por Nathália Barcelos


O canoísta está sempre em busca de novas cachoeiras para explorar
Aos 34 anos de idade o canoísta já passou pelos sete continentes e conheceu lugares como Indonésia, Hawai, Índia e Noruega, e suas aventuras já somam mais de 45 países. Nasceu e cresceu na cidade de São José dos Campos, local que mora quando não está viajando. Pedro Oliva ficou mundialmente conhecido em 2009 por saltar de uma cachoeira em Santo Belo (MT), que tem 38,7 metros de altura, batendo o recorde mundial do esporte "caiaque extremo" na ocasião, feito que foi superado em 2010, por Tyler Bradt. Atualmente, o canoísta se reveza entre a família – os filhos Kaike e Petra e sua afilhada Maitê – e a vida profissional, que inclui viagens em que é preciso ficar longe de casa por muitos meses.


Antes do esporte na sua vida, o que você pensava fazer?

Pedro Oliva – Como desde a infância eu tive um elo esportivo muito intenso, sempre um compromisso com o esporte muito grande durante o meu desenvolvimento, quando fui entrar na universidade até pensei em fazer Medicina, Odontologia, Publicidade, mas eu logo vi que a Educação Física seria uma faculdade que eu teria mais chances de terminar pela grade curricular. Claro que pensei, em vários momentos, ter seguido outra profissão, mas sempre ficou claro que era isso que eu queria fazer para o resto da vida.

Como você começou a se interessar por caiaque?

Comecei a me interessar devido à minha proximidade com esportes. Comecei a praticar esportes com cinco anos, meu pai me colocou no kung fu e fui praticando e trocando modalidades. Ao longo dessa trajetória, pratiquei principalmente ginástica artística, treinei alguns anos como nível profissional, fui atleta da cidade de São José dos Campos. Depois, joguei futebol e comecei a surfar quando tinha aproximadamente onze anos. A partir dos 13 anos, comecei a ir muito para Ubatuba, quando mais velho sofri um acidente na Rodovia Oswaldo Cruz e fomos levados de guincho para São Luiz do Paraitinga, lá tive meu primeiro contato com os botes de rafting e caiaques.

E quando você começou a viajar profissionalmente pelo esporte?

No primeiro ano do colegial, eu entrei no curso técnico de Administração de Empresas e através desse curso abriam-se vagas para estágio. Lembro que todo mundo estava indo trabalhar em banco, escritório de contabilidade e para mim isso parecia impossível. Foi aí que comecei a estagiar. Durante a semana, trabalhava em um escritório e, aos finais de semana, comecei a atuar como instrutor de rafting, rapel, tirolesa e escalada.

Pedro rema em meio uma erupção vulcânica no Havai
Em 2009, você conquistou o recorde da sua categoria ao pular de uma queda de Salto Belo, no Mato Grosso, com quase 40 metros de altura. Como foi essa experiência?
A competição, basicamente, está em estabelecer recordes, saltar das maiores cachoeiras. Eu tive isso como sonho, ser recordista mundial, por algum momento ser o melhor do mundo naquilo que você faz, acho que atleta tem muito disso.

Você já viajou para muitos países, qual você mais gostou e por quê?

A viagem mais gostosa, que me senti melhor na volta, foi à Índia, é um lugar realmente diferenciado. As referências, relações das pessoas, é um lugar realmente muito espiritualizado, faz jus à fama. Então, quando a gente saiu da Índia estávamos com uma sensação muito boa, o ambiente nos fez muito bem. Mas todos os países por quais passamos tem suas peculiaridades. Remar na lava vulcânica é emocionante, você ver de perto aquela massa saindo do centro da terra numa temperatura altíssima. Teve um balanço entre arriscado e ao mesmo tempo divertido, com bastante cautela nos aproximamos e vimos aquele fenômeno incrível acontecendo.

Como é a sua relação com os profissionais que trabalham com você?

Eu trabalho atualmente com dois americanos, especialmente com o Ben Stokesberry e Chris Korbulice. A relação é muito boa, claro que viajar junto, muitos dias juntos, dormindo, acordando, com qualquer pessoa no mundo, mesmo a mais próxima, isso é difícil, relacionamento, comunicação. Então, a gente já passou por muitos momentos difíceis, discussões, brigas, mas, ao mesmo tempo, quando a gente tem um propósito, isso só nos aproximou. Depois de um determinado tempo trabalhando junto, os conflitos praticamente desaparecem. Procuramos sempre deixar o nosso ego e vaidade de lado, investindo nisso, para não ter competitividade dentro da equipe. O trabalho passa a ser muito prazeroso.

Como é sua relação com as câmeras?

É relativamente boa, eu gosto bastante do meio. Nunca me vi como apresentador, nunca imaginei que estaria na frente das câmeras como estou hoje. Não é minha principal habilidade, mas não me intimido com as câmeras, tento passar a informação da melhor forma, da forma mais divertida.

Como é ser um esportista no Brasil? 

Ser um atleta no Brasil é tão difícil quanto ser em todos os países subdesenvolvidos. Até mesmo na Europa, Estados Unidos, América do Norte, há dificuldades. É como se fosse um funil muito grande, são poucos atletas que conseguem sobressair economicamente. Agora, no Brasil, pela política esportiva, é bem complicado. Mas, num quadro geral, vemos melhoras, ainda mais pelas Olimpíadas, que vêm chamando bastante atenção. Num cenário favorável ou não, acho que depende de cada atleta sua capacidade de se organizar e persistir para conseguir estabelecer como uma profissão o esporte. 

Qual esportista você mais admira? Por quê?

Eu vou trocando de ídolos conforme ao longo dos anos, são referências, as referências vão mudando. Atualmente, meu principal ídolo é o Mineirinho do surf, pela trajetória dele e simplicidade. Eu o conheço, já conversei com ele algumas vezes e ele é uma pessoa mais do que o pop star, tem um balanço entre humildade e competência.

O que o esporte ensina às pessoas?

É um caminho para o jovem para se doutrinar, numa linha de educação, saúde, respeito. De superação, porque você perde, cai e levanta, perde e tem outro jogo. É um caminho, mesmo que ele não venha a se tornar um atleta.