O Perfil de um Doutor apaixonado por fotografias

“Ad perpetuam rei memoriam” requer o colecionador de fotografias nos autos que compõem o município de Campos do Jordão

 Por Amanda Poso 

“Mesmo que algum dia, alguém, por alguma razão muito especial, venha a
saber de nossos nomes ou ver alguma de nossas fotografias, jamais poderão imaginar e mensurar o tamanho, a magnitude e a intensidade de algumas das paixões que emolduraram e enriqueceram nossas vidas”, detalha em uma de suas crônicas o colecionador de histórias em imagens, ou paixões, que diz não ter vícios.

Dr. Edmundo Ferreira da Rocha, nascido em Campos do Jordão (SP), no dia 19 de dezembro de 1943, formou – se em Ciências jurídicas e sociais na Universidade de Taubaté em 1978, casado, possui uma filha e duas netas.
Filho de Waldemar Ferreira da Rocha e Odete Pavan da Rocha, não relata muitas recordações de sua infância, mas, diz que não foi fácil.

Em 1948, morava com os pais em uma casinha de madeira na propriedade de seu avô, o qual mudou-se para Pindamonhangaba e alugou a casa principal. A casa se tornara pensão para doentes, na qual se hospedou por três anos Orestes Mario Donato, que chegou a cidade para se tratar da tuberculose, período em que Edmundo havia sido infectado, não pela tuberculose, afinal, Donato já estava curado, mas pelo vírus que desencadeou a paixão pela fotografia. O quarto ocupado pelo hóspede que se tornara um grande amigo era também ateliê e laboratório de fotografias.

Em 1976 decidiu criar um acervo de imagens com o tema “História fotográfica de Campos do Jordão”, em meio a buscas, descobriu que a Prefeitura Municipal possuía um acervo de fotografias, o qual chegou a colocar as mãos. Foi até o Prefeito, que o mandou fazer um oficio para que pudessem ser feitas cópias, porém no dia seguinte as imagens haviam sumido misteriosamente. O mesmo ocorreu anos depois, quando encontrou um álbum na Biblioteca Municipal.
Uma sindicância foi montada para desvendar o sumiço, mas nunca descobriram qual foi o destino.

Devido a estes fatos que lhe provocou desânimo, somente “o príncipe” poderia resgatar a vontade de Edmundo, que se encontrava como “Bela”, adormecida durante 20 anos. A coleção ficara parada. Atuou em importantes áreas sociais e culturais da cidade, de fato que sua(s) imagem(ens) está/estão registradas neste filme que compõe o “Rincão Paulista”.

Ao despertar da meia noite, suas vestes já não eram mais as mesmas! Dr. Edmundo virara aposentado, e foi aí que a vontade de prosseguir a coleção se deparou com a “antiga” paixão. Lá foi ele novamente em busca de famílias e historiadores que possuíam fotografias da cidade. Muitos não gostavam de emprestar as fotos por medo de não obtê-las novamente, Edmundo criou um equipamento, uma tal “geringonça”, a qual colocava a câmera fotográfica com a objetiva para baixo e ia de casa em casa para refotografar as imagens.

Essa foi a “tecnologia” que se adequou a situação e assim o acervo chegou a 45 mil fotografias, arquivadas em computadores, compartilhadas em seu site e expostas. Relembrando as amizades o colecionador se emociona ao citar Pedro Paulo Filho, amigo de 6 décadas que veio a falecer em 2014, um companheiro de Histórias/estórias que compõe “Poesias imortais no alvor das floradas”.

Lágrimas são contidas ao falar de sua companheira Tuquinha, uma pequinês que o acompanhara por 15 anos durante as idas ao sofá da sala para assistir ao jornal e agora fica em meio a suas Paixões. “Quanto mais velho a gente vai ficando menos amigos a gente vai tendo, porque os amigos vão indo embora”, declara com saudade Edmundo.

Assim se faz o perfil do Dr. Apaixonado por Campos do Jordão, “Que perpetuem as memórias” nos autos que compõem a “Joia do Alto da Serra”!