Ele está há 35 anos em um canto na praça de Taubaté executando uma profissão de brilho para quem ainda procura pelo serviço. Este ofício foi ensinado quando tinha apenas 12 anos.
Por: Nara Carvalho
Apesar de sentir prazer pelo que faz, Pedro acredita que
um dia a profissão acabe.
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Pedro Álvaro dos Santos, ou popularmente conhecido como Pedrinho trabalha num ofício que tem como data de surgimento o ano de 1806, na França. Acredita-se que essa ocupação ‘nasceu’ após um operário em sinal de respeito a um general francês tenha polido suas botas e pela atitude recebido uma moeda de ouro.
Seu Pedro conta que está nesta profissão desde os 12 anos de idade. “Trabalhava na funilaria e como fechou a oficina fui ao salão trabalhar como engraxate”, contando que recebeu um convite de um rapaz para trabalhar no Salão Taubaté. O profissional diz que não sabia realizar esta tarefa quando foi chamado para trabalhar no salão, mas que seu empregador o ensinou as técnicas de um engraxate. Esse salão iria mudar para outro endereço e Pedro já havia conquistado uma freguesia fiel resolveu ficar na praça.
O engraxate caminha com certa dificuldade devido a uma paralisia infantil que afetou os nervos de sua perna e por isso faz o uso de muleta para ajudar na locomoção. As pessoas se solidarizam com ele e o auxiliam a buscar e a guardar seus pertences. Como não possui um local fixo para alojar sua cadeira uma loja disponibiliza esse espaço. De segunda a sábado ele chega à praça às 7h30, pois vem de carona com um amigo e por volta das 8h30 ajeita tudo para começar seu expediente. “É a média de uns 20, às vezes 15. É a faixa”.
| A faixa etária dos clientes fica entre os 30, 40 anos. E o máximo é de 50 a 60 anos. |
É claro que nesse tempo todo que seu Pedro está na praça histórias é o que não faltam. Um desses causos aconteceu quando ele teve seu dinheiro roubado. “Veio e pediu pra trocar um dinheiro que a menina da loja tinha pedido. Aí eu peguei o dinheiro pra contar e deu um bote na minha mão. Aí num tinha como sair correndo atrás por causa do problema físico”. Apesar desse mal entendido ele quis permanecer no local.
Apesar das dificuldades físicas que encontra e até mesmo pelo serviço não ter tanta procura, Pedrinho sente amor pelo que faz e não pretende largar o engraxe. “Representa tudo, não troco por nada”.
Confira a entrevista com o engraxate da Praça Dom Epaminondas.
