Fotojornalista encara a profissão como uma paixão

Ele é natural da cidade conhecida como a Suíça brasileira. Nunca foi um mau aluno, mas também era bagunceiro. Desde os 11 anos de idade ajudava o pai a cuidar do jardim do Palácio da Boa Vista, em Campos do Jordão - SP. 
Por: Vivian Ferraz

Ele já trabalhou como eletricista. Já trabalhou na antiga fábrica de óculos Clau’s Vision. Já trabalhou na Daruma. Já foi ajudante de caldeiraria. Já foi representante do Diário de SP. Já conciliou o emprego como representante do Diário, com a Gazeta Mercantil, com a distribuição de revistas e com o emprego de motorista, a partir de 1994, no jornal Valeparaibano – que em 2010, passou a se chamar OVALE. Até que então começou a ter contato com a redação e como desde pequeno gostava de fotografia passou a observar o que o fotógrafo fazia. Foi quando precisou de alguém para fazer uma foto e, Rogério Marques, de 43 anos, se dispôs a fazer. Apesar de já ter feito “de tudo um pouco”, hoje ele é fotojornalista e se orgulha da profissão.
Rogério Marques/Divulgação
Em 2010, Rogério sobrevoou a Igreja São Luiz de Tolosa
Crédito: Rogério Marques
O fotojornalista nunca cursou uma faculdade. “A fotografia está no sangue”, diz. Rogério sempre foi muito pró-ativo, buscava descobrir coisas novas. “Eu nunca penso: não, aquilo dali eu não posso fazer. Eu sempre quero aprender”, diz. Esta é uma das circunstâncias que fizeram com que o destino proporcionasse motivos para que Rogério continuasse sua jornada. “Eu não paro muito pra pensar no futuro, eu vivo um dia de cada vez”, afirma.

Rogério já está no ramo há quase 20 anos, o que foi necessário para ganhar reconhecimento como um grande profissional. Em 2010, ele sobrevoou São Luiz do Paraitinga para retratar a enchente que se alastrou pela parte baixa da cidade. A imagem da Igreja Matriz São Luiz de Tolosa caída em meio a muitas águas ganhou grande repercussão, chegando até ser capa do jornal O Estado de São Paulo. “Foi um alívio saber que não houve vítimas, mas o momento exato, a sorte, tudo conspirou para que eu fizesse aquela foto”, conta Marques.
Vivian Ferraz
Ele carrega consigo a bagagem de uma vida difícil,
que contribuiu para ser o fotógrafo que é hoje
Crédito: Vivian Ferraz

Para ele, o fotojornalista tem que ser os olhos do leitor. “Se você está passando pela banca de jornal e vir uma foto na capa que te chame a atenção, você vai acabar comprando o jornal para ler a matéria”, explica.


Rogério nas horas vagas costuma ficar em casa. Para fazer o seu gosto é só preparar uma carne na grelha, chamar os amigos e abrir uma gelada. Mas sempre que sai, leva sua paixão junto. “A câmera está comigo 24h por dia”. Além disso, mantém um amor incondicional pela filha de 23 anos, pela de 11 e pelo menino de 19. Rogério acredita que enquanto tiver a oportunidade de estar na profissão, vai estar. “O meu legado é esse, o meu suor e o meu trabalho. Correr atrás sempre e quando tiver a oportunidade, agarrá-la”.

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