Estilo de vida lactovegetariano move a fé de devotos

A cerimônia de agradecimento aos deuses, chamada de Bhagavad-gita, começa na tarde de domingo, reunindo pessoas com roupas coloridas, pinturas e sorrisos no rosto, que circulam pela fazenda Nova Gokula, em Pindamonhangaba (SP).
Por: Gabriel Castro

Fachada do templo, localizado na Fazenda Nova Gokula
No evento, muitas seguem em direção à fila onde recebem alimentos que irão servir de oferenda. Bandejas enfeitadas contendo pequenas porções de comida fazem contraste à vestimenta do público, sem cores chamativas. Porém, não se pode dizer o mesmo do altar. Estátuas de divindades em muitas cores vivas, entre elas o vermelho, o amarelo e o roxo têm como adornos colares de flores. E ali, ao centro do altar, ficam os alimentos. Em cima de uma bancada, bandejas com estátuas de semideuses aguardam o momento mais esperado do dia: o grande cerimonial, o grande agradecimento.

Considerada a maior comunidade HareKrishna da América Latina, a fazenda foi fundada em 1978, com o objetivo de agregar as famílias da religião, chegando a reunir cerca de 200 famílias com o passar dos anos. O diferencial da fazenda – localizada na área rural de Pindamonhangaba, no bairro Ribeirão Grande – é que a comunidade é aberta também para não devotos de Krishna participarem das celebrações e cerimônias, além de usufruir do espaço da fazenda.

Lila Vati é devota de Krishna, tem três filhos e no momento cuida da loja do templo. Ela conta que é teóloga autodidata, já visitou templos da maioria das religiões e se encontrou no Vaishnavismo, um dos segmentos do hinduísmo, a religião dos Hare Krishna. “Para você ser devoto de qualquer segmento hinduísta, nada que vá incitar ou praticar a violência é permitido, principalmente matar um animal para servir de alimento”, diz Lila.

Durante o evento, pessoas não devotas e curiosas também vão ao local, seja para apreciar a natureza, buscar um escape de cidade, ou simplesmente por pura e única curiosidade. “É a primeira vez que venho neste festival e estou adorando. O clima é ótimo e a energia que sentimos aqui é muito positiva”, conta Maria Cristina Fernandes, 33 anos, professora, que visitava o local com o filho.