Catuçaba mantém única cavalhada da região

A Igreja Católica é ameaçada por um grupo que quer acabar com a religião. Os cristãos vão às ruas para combater seus inimigos. Essa cena é a descrição das cavalhadas, manifestação existente até hoje no interior de São Paulo. 
Por Nara Carvalho




Seu Prado gosta tanto de participar da Cavalhada que
informa que vai participar até quando puder
São Luiz do Paraitinga é conhecida por ser uma cidade rica na sua parte cultural. Fato que suas manifestações até hoje atraem várias pessoas para a região. O que muitos podem não saber é que Catuçaba, distrito de São Luiz, tem em seu território uma exibição portuguesa, de nove séculos atrás. Estamos falando da Cavalhada, que é de origem lusitana. Conta à história que a rainha Dona Isabel decretou que as cavalhadas seriam apresentações obrigatórias nas festas religiosas. “Ela decretou isso depois de uma promessa que ela fez ao Divino Espírito Santo após ter recebido a benção e ter engravidado”, conta Fábio Alexandre, um dos participantes da cavalhada. 

Essa tradição passou de geração em geração e por isso existe até hoje. Fato que se confirma com a presença de três senhores que há muito tempo participa, apesar da idade que possuem. Agenor Renô Martins de Castro tem 76 anos de idade e há mais de 50 anos participa da Cavalhada de São Pedro. “Minha mãe veio para Catuçaba e eu já gostava de ver”. No espetáculo seu Renô, como é conhecido, é o Rei Mouro e faz até uma brincadeira. “Eu sempre perco a batalha”, diz aos risos. Lauro de Castro Faria de 79 anos é outro ilustre senhor da cavalhada. Há mais de 40 anos ele participa e lembra como foi a sua primeira apresentação. “A primeira vez que participei não tinha muita prática”. 

Durante a exibição observamos a presença de mascarados. Segundo a história eles são mouros a favor do cristianismo e impedem que o público chegue perto demais da cavalhada e interage com as pessoas. Um desses mascarados é Benedito Prado, de 69 anos. Na encenação Prado é o palhaço morto pelos mouros e que depois ressuscita. Ele nos conta que começou como palhaço e participa porque gosta da brincadeira e por ser algo ligado à religião. 

 Não só de senhores vive a Cavalhada. Hiago Charleaux, de apenas cinco anos teve sua primeira experiência no ano passado. A tia do garoto, Érica revela a emoção que a família sentiu ao ver ele se apresentando. “Pra nós foi uma felicidade e também uma choradeira na família". Érica comenta que em pequenas apresentações ele participa, pois a maioria dos cavalheiros começou com 13 anos.