Quando a saudade vira doença


Por Sanya Nogueira

Há três anos em Palmital, a psicóloga Bete El Zouki sente muita falta de suas filhas, que vivem em Taubaté. A mãe já teve crises de choro e sempre que pode visita às meninas. Esses sintomas são causas da síndrome do ninho vazio, que é uma condição caracterizada pelo surgimento de um quadro depressivo por parte dos pais (afetando geralmente a mãe) após a saída dos filhos de casa, a partir do momento em que eles se tornam independentes, partindo para outra moradia. “É um sentimento que deixa você abalado, deixa você sem forças, forças psicológicas.” Desabafa a mãe coruja.
Mas a saudade é uma emoção que não escolhe hora para chegar, e pode abalar a qualquer um. No momento que alguém querido morre, é natural as pessoas viverem um período de luto. Mas, se esse sentimento persiste por muito tempo e de uma forma intensa, o sofrimento evolui para a depressão. De acordo com a psicóloga Olga Tessari, o problema psicológico pode também passar a ser físico. “A pessoa sente dores, tem problemas gastrointestinais, muitas vezes ela desenvolve alergias, apresenta baixa imunidade, que por consequência traz uma série de infecções ao organismo.” Alerta a profissional.
Em uma canção Raul Seixas dizia, a saudade é um parafuso que quando a rosca cai só entra se for torcendo porque batendo não vai. Mas quando enferruja dentro nem distorcendo não sai. Sentimentos fazem parte do ser humano, o desafio é mante-los de forma que não nos prejudique. Fazendo da nostalgia um momento gostoso, para se saborear, e sempre procurando ajuda quando nos fugir do controle.