Em alta, brasileiro já é o quarto maior consumidor de games do mundo, e traz empresas e exposições para o país. Up!
Por Caíque Toledo
Em toda a história dos videogames, países como Estados Unidos e Japão, grandes produtores, se destacavam como os maiores mercados eletrônicos do mundo. Com muitos consumidores, os dois países sempre pareceram inalcançáveis nesse quesito.
Hoje em dia, ainda são. Norte-americanos e japoneses continuam a dominar o mercado dos games. Seja na produção ou no consumo: a história gamer é contada nessas duas línguas. Mas, nos últimos tempos, quem mais cresce nessa lista é o Brasil. No último estudo, feito nos últimos meses de 2012, o país já era o quarto maior mercado do planeta, e não parava de crescer. Houve uma lata de 43% - e quase um bilhão de reais em ganhos.
“O mercado brasileiro de consoles já é muito expressivo, semelhante ao da Rússia, e tem um forte potencial de expansão. No ano passado, apresentou o maior crescimento dentre os países analisados e acreditamos que vai continuar seguindo na contramão mundial”, afirmou Oliver Römerscheidt, gerente de negócios da GfK, empresa de consultoria que realizou o estudo.
De acordo com a pesquisa, o país tem 3,1 milhões de vídeogames da chamada terceira geração - consoles como Playstation 3, Xbox 360 e Wii. Porém, o líder de vendas continua sendo o Playstation 2, lançado há 12 anos. O sucesso é tanto que o país começou a exportar produtores e representantes. "A Capcom sabe que aqui há uma grande comunidade de jogadores que não para de crescer", diz Jean Toledo, gerente de marketing e vendas da Capcom, empresa japonesa especializada em games.
Recentemente, a Apple, grande produtora de eletrônicos, também afirmou que pretende trazer sua empresa para o Brasil. O Podcast Adrenaline, do portal Uol, analisou o crescimento desse mercado.
Mais títulos, preços menores: a fórmula do sucesso
Para crescer tanto, não bastava apenas vontade dos brasileiros. Segundo a pesquisa da GfK, o número de jogos no país cresceu 30%, e o preço médio caiu quase 27%. Assim, o país pode passar a comprar mais de seus títulos favoritos.
Mesmo com a queda dos preços, os brasileiros passaram a gastar mais com videogames. De cada 100 brasileiros, 23 jogam games, e não se contentam com apenas um jogo - como colecionadores, que chegam a separar uma parte de sua renda mensal apenas para os eletrônicos. “Isso torna cada vez mais interessante para o consumidor comprar no mercado formal do que pedir a alguém para trazer o game do exterior ou ainda buscar o varejista que atua com importações paralelas”, analisa Oliver, gerente da GfK.
Uma das provas do rápido crescimento aqui no país pode ser visto no Brasil Game Show, uma gigantesca feira em São Paulo totalmente voltada para a cultura eletrônica, com os lançamentos e tendências do mercado gamer. Em 2012, o evento atraiu mais de 100 mil pessoas, e já tem sua edição confirmada para 2013. Com diversos expositores internacionais, o planos é atrair ainda mais os executivos e empresas estrangeiras. “Nós sabemos que o Brasil é quase o país número um em termos de objetivo dessas empresas lá fora”, disse Marcelo Tavares, um dos organizadores do evento.
Em alta, o mercado brasileiro conta os dias para ficar próximo aos grandes consumidores. Com 45 milhões de jogadores no Brasil, é questão de tempo para que sejamos uma potência nesse seguimento. Aos poucos, o país do futebol também se transforma no país dos videogames.


