Gamers do Vale

Vale do Paraíba: um dos maiores mercados de games do Brasil

Por Marvin Pinho



Imagine-se como um membro do lado luminoso da força, onde você deveria combater aqueles que são governados pelo ódio e outras emoções negativas. Ou então, situe-se numa terra dominada pelos homens, onde você e sua horda de anões e elfos devem defender a paz e destruir o fetichismo por traz de uma joia. Pois bem, de certa forma, isso é o que os Games lhe proporcionar. Em um período não muito distante, os jogos, que agora são considerados arte, eram marginalizados, talvez pelo desinteresse dos mais velhos, ou pela falta de contato num período mais receptivo da vida, o fato é que isso mudou, e agora consoles como o Nintendo Wii, por exemplo, são vendidos a rodo para a terceira idade. Pedro Neto abriu recentemente uma loja em São José dos Campos, ele diz que se impressiona com o número de adultos que vão até o estabelecimento “Não sabia que tanta ‘gente grande’ ia comprar na minha loja. Raibow Six e Splinter Cell são os jogos que eu mais vendo pra essa galera.” Relata o comerciante. E muitas vezes esse público passa dos 40 anos, o que caracteriza uma geração mais velha do que o Atari, ou seja, pessoas que não foram sensibilizadas pelos primeiros passos da indústria, “Já vendi videogame pra gente de cabelo grisalho, e pra gente sem cabelo também” satiriza o mercante.

 A sexta geração dos consoles, vulgarmente conhecida como geração Ps2, não tinha tantos adeptos quanto a sétima, talvez pela falta de interatividade com os games, existentes agora, como o Kinect, que permite ao jogador interagir fisicamente sem a necessidade de nenhum joystick ou algo do tipo. Melhor do que asteroids, um dos grandes clássicos da história dos games, com certeza é.

 Kratos é um personagem fictício da mitologia grega, inventado pela Sony para protagonizar o game God Of War, a franquia fez tanto sucesso que algumas frases do anti-herói são citadas pelas ruas da mesma maneira que fazemos com filmes, ‘A morte do Olimpo significa a morte de todos nós’. Essa popularização cria um novo nível de fã. Diogo Andrade, de 17 anos, atualmente mora em São Paulo, mas começou seu fanatismo quando ainda era um munícipe de Caçapava, ele é um colecionador especifico, todos seus adornos estão relacionados a God Of War, “Tenho todos os jogos originais da franquia, comprei um psp (videogame portátil da marca) só pra jogar um spin off (jogo não diretamente relacionado a historia principal)”. Além do nível de fanatismo ainda desconhecido pelos leigos ou desinteressados pelo assunto, Andrade expandi seu vicio, “tenho 4 action Figures do Kratos. Gasto uns 250 reais por mês com o personagem, tenho camisetas, pôsteres, um cd com a trilha sonora do game, um console personalizado e mais alguns adendos. Acho que ningém é tão fã quanto eu.” Pondera o fanBoy.

 Personagens como Diogo, fazem do mundo dos games, um universo tão rico quanto o do cinema, por exemplo. Mesmo tratando-se de um país que enfrenta dificuldades para ter acesso a esse tipo de conteúdo, justificado talvez pelos impostos, regiões interioranas como o Vale do Paraíba acompanham o ritmo do país, que não para de crescer no mercado dos games.