Coleta seletiva ainda é ignorada em bairros e condomínios

Por: Sarah Couto
A coleta seletiva apesar de ser uma ação necessária, não está sendo levado muito a sério. Condôminos e moradores do bairro Jardim Santa Clara, em Taubaté, reclamam que não há uma divulgação correta, contudo, o que ocorre é a falta de interação entre eles. A coleta seletiva é um assunto que deveria ser tratado nas reuniões de moradores e acaba sendo ignorado.
No Brasil, de acordo com o Grupo Hubert (administradora de condomínios) cada conjunto residencial acumula, em média, uma tonelada de lixo reciclável por mês. Seguindo este parâmetro, se os três maiores condomínios do Jardim Santa Clara adotassem esta medida somariam aproximadamente 36 toneladas de lixo reciclável por ano.
No condomínio Spazio Total Life, no mesmo bairro, a coleta seletiva já é uma realidade. São quatro latas coloridas, sendo uma destinada ao papel, uma para plástico, outra para o vidro e outra para o metal. Existe ainda disponível um latão orgânico para o lixo ser jogado. Essas lixeiras demoraram cerca de um ano e meio para serem instaladas desde a entrega dos apartamentos. Mas,  os moradores apesar de terem a noção da necessidade de se fazer a coleta e de como ela é importante, desconhecem a maneira correta de tratar o lixo destinado a reciclagem. “Aqui no condomínio não teve a divulgação de como separar o lixo de maneira correta” afirma a dona de casa Elizabeth Sandoval, 49 anos.
A maneira correta citada pela dona de casa seria: o papel ser jogado na lixeira de cor azul inteiro ou rasgado, sem estar amassado, papéis sujos ou molhados devem ser colocados em lixos comuns; sacos, CDs, embalagens de produto de limpeza, garrafas pet, canos e tubos devem ficar na lixeira de plástico da cor vermelha e de preferência lavados por dentro; garrafas de bebida, frascos em geral, potes de produtos alimentícios e copos depois de retirado o excesso de sujeira devem ser jogados na lixeira de cor verde do vidro; e, latas de alumínio, de produtos alimentícios e embalagens metálicas na lixeira de metal de cor amarela.
Benedita Cacilda Eliar, presidente da Cooperativa Re-Si-Clando localizada no bairro Vila Marli, diz que a cooperativa recebe doações de condomínios, mas garante que a frequência é pequena. “Ás vezes, nós temos um caminhão para nos ajudar. Apesar do caminhão ser nosso, o motorista é da prefeitura e ele não aparece sempre para ajudar a trazer o material”. Naasson Garcia Machado, morador do bairro, afirma que o caminhão recolhe o lixo todos os dias, mas nenhum veículo que recolhe lixo seletivo aparece no bairro. Ele garante também que as pessoas desconhecem a importância da reciclagem. “Os moradores botam tudo na sacola e deixam os resíduos jogados no meio da rua ou na lixeira da porta da casa”, ressalta Machado, garantindo que as pessoas não separam o lixo de maneira seletiva.
Por isso, muitas vezes catadores que vão buscar o lixo seletivo nos condomínios precisam ter atenção ao pegar o lixo. “Uma vez por semana a gente busca os recicláveis nos condomínios, e como a minha preferência é por plástico e papel, tenho que separar direito o lixo, porque muita gente coloca material em latas erradas, ou colocam junto coisas que nem são recicláveis”, relata o catador de lixo, Nelson dos Santos, ressaltando a dificuldade das pessoas em saber separar o lixo corretamente.

O que ocorre em alguns condomínios que não possuem a coleta pode ser a falta de infraestrutura e de espaço, fora a separação correta, pois é preciso um lugar maior, já que o recolhimento do lixo por parte de cooperativas acontece uma vez por semana, o que gera seu acúmulo. Além da interação entre condôminos, é importante alertá-los sobre a importância da coleta seletiva para o meio ambiente e para o próprio condomínio, pois a prática de separar o lixo poderá evitar o acúmulo dos resíduos orgânicos e a não proliferação de bichos que ali podem ser encontrados.