Vivian Gasperotto
Seis horas da tarde de um dia comum em Taubaté. Fim do expediente. Em ruas de bairro já é possível notar que o trânsito mudou. São centenas de veículos trafegando pelas ruas da cidade. Ruídos de escapamentos. Buzina daqui, outra dali. Fumaça. Vez ou outra, sirenes. Poluição, dos mais variados gêneros, é o que vem compondo a paisagem de um município que aparentemente não comporta mais o tráfego intenso de carros, ônibus, caminhões e motos.
De acordo com o Denatran, até abril desse ano eram 180.240 veículos registrados, sendo aproximadamente 10 mil veículos a mais que o mesmo período do ano passado. Com esse número crescendo a cada dia, encontrar um espaço nas ruas é um grande obstáculo aos motoristas, já que as vias são estreitas e ficam sobrecarregadas com tanto movimento. Manter a paciência torna-se um desafio, até mesmo para Geison Sander Fagundes, comerciante e diretor de um centro de formação de condutores, que foi instrutor de trânsito durante 16 anos. Mesmo se considerando uma pessoa paciente, Fagundes garante que há momentos difíceis de manter a calma.
Uma das alternativas para evitar congestionamentos e maiores problemas no trânsito, é optar pelo transporte coletivo. A secretária Camila de Andrade Bedim faz essa opção na volta do serviço. Mesmo habilitada, ela ainda teme o trânsito e enfrenta o “horário de pico” de dentro do ônibus, sem ter a preocupação de conduzir um automóvel. Camila conta que é comum ver os passageiros impacientes e confessa que escuta música para desviar o pensamento e eliminar o estresse em meio ao congestionamento.
Se passar por uma das principais avenidas da cidade, a Nove de Julho, na hora do rush é um teste de paciência, imaginem passar cerca de 15 vezes ao dia, de hora em hora. É isso o que acontece com Maria Luiza Vieira Lopes, instrutora de prática veicular, que, além da ida para o trabalho, trafega pela avenida em toda aula que ministra. Ela é instrutora de motos há 13 anos e afirma que quanto menos rodas, mais praticidade, mas é necessário fazer bom uso dos veículos. “O bom senso é a primeira coisa que poderia melhorar. Se todos os motoristas o tivessem, boa parte dos problemas do trânsito estaria resolvida, tanto nas discussões como na rapidez”, ressalta.
Criam-se rotatórias, ampliam-se ruas, interfere-se no fluxo e, ainda assim, nada parece resolver. É certo que a situação melhoraria se todos os motoristas agissem de acordo com o que aprenderam no processo para se habilitar. O Código de Trânsito Brasileiro determina que todos os veículos, pessoas e animais que utilizam as vias públicas são obrigados a cumprir às regras impostas. Cada um tem de fazer sua parte na sociedade.
Os manuais de trânsito pregam lições que vêm do berço: respeito, tolerância e solidariedade ao próximo. Para um trânsito harmonioso, além de conhecer e cumprir as regras de circulação e conduta, é aconselhável fazer uso da comunicação amigável, avisando e ajudando os demais motoristas. O instrutor de trânsito José Alberto Barreto da Costa alerta que a falta de cidadania é a principal causa de um trânsito violento e propenso a acidentes. “O que torna o trânsito inseguro e estressante é o motorista que não cumpre seus deveres, que não respeita as leis de trânsito, aquele que só quer saber dos seus direitos, dos seus deveres, nada”.
A fim de driblar congestionamentos, uma saída é procurar caminhos alternativos e evitar horários de maior movimento. Sair minutos mais cedo ou trocar a rota pode ser a garantia de um percurso sem muito estresse. “Se aqueles que não precisam passar pelo local naquele horário fizerem outro caminho, o trânsito vai diminuir e permitirá um bom trajeto para muitos que realmente precisam passar por ali”, completa Barreto.
Assista o famoso desenho animado do personagem Pateta no trânsito.
O instrutor Alberto Barreto passa o vídeo em suas aulas e lembra que essa situação é mais real do que imaginamos.