Mímico Andarilho: nas ruas de Campos do Jordão

por Gisele Melo

O clima já é de inverno, céu azul e sem nuvens dão lugar ao Sol que aquece os turistas. Os restaurantes lotados se transformam em plateia e a rua o palco de um grande espetáculo. Esse é o cotidiano de Carlos Javkin – o mímico andarilho, que há quase duas décadas trabalha divertindo turistas durante os finais de semana no centro do Capivari em Campos do Jordão.
Carlos estudou na Escola da Argentina de mímica, expressão e comunicação corporal e a técnica do movimento consciente de Klauss Viana com Neide Neves de 1992 a 1995 na cidade de São Paulo.

Começou sua carreira de "brincante" em meados da década de 80, como remanescente do movimento de artistas que apresentavam seus espetáculos espontaneamente nas ruas de Buenos Aires. Desde 1987 morando no Brasil, entrou em contato com a arte popular brasileira, conhecendo os mestres do mamulengo, das danças e dos ritmos dos folgedos populares, aprendendo a tocar instrumentos de percussão e incorporando bonecos do acervo popular no seu repertório. Faz o personagem "burrinha" (que aparece em vários folgedos populares) levando alegria às pessoas, independente da idade e da condição social.

Desde 1994 Carlos realiza performances nas ruas Campos do Jordão usando a mímica e a “burrinha”. Hoje o mímico define seu trabalho com uma faca de
dois gomos, “Às vezes é legal para caramba por que tem pessoas que entendem o meu trabalho e as vezes fica uma coisa chula e eu me sinto mal por que eu faço isso a muito tempo e trabalhar com público é difícil”, afirma.
Além do público diversificado, o artista trabalha com o problema do espaço onde abusa da criatividade para interagir rapidamente com os turistas.

É um trabalho aleatório que estimula a cultura popular, entretendo crianças e adultos, mas é em meio ao caos de uma cidade turística que Carlos Javkin tira seu sustento, ao passar seu chapéu no fim de cada apresentação.