Monteiro Lobato utiliza Vale do Paraíba como referência em seus artigos e histórias


Por: Sarah Couto

Em 18 de abril de 1882 nasceu José Bento Monteiro Lobato em Taubaté. Monteiro Lobato, como era conhecido, como começou a escrever para jornais quando ainda criança, em que escrevia pequenos contos para as publicações estudantis nos colégios Kennedy e Paulista, escolas na qual estudou.
Apesar de ter cursado direito, na Faculdade do Largo São Francisco em São Paulo, Lobato escrevia artigos para pequenos jornais do Vale do Paraíba, além de traduzir artigos do jornal Weekly Times para O Estado de S. Paulo, fazer ilustrações e caricaturas para a revista carioca Fon-Fon! e colaborou com matérias para o Gazeta de Notícias e Tribuna de Santos.
Mas, foi quando herdou a fazenda de seu avô, que sua carreira como jornalista deslanchou, pois, com o artigo “A Velha Praga” denunciou as queimadas no Vale do Paraíba, publicado no O Estado de S. Paulo, o que gerou uma grande repercussão.
O historiador Vinícius Alves do Amaral acredita que a relação de Lobato com sua região era um pouco conflituosa porque o “maior inimigo” do escritor era o provincianismo na qual a cidade de Taubaté ainda vivia, e onde sua visão sobre os fazendeiros, caboclos e padres não seria bem recebida, já que o município ainda “vivia das glórias do Império”. Porém a partir do livro Urupês, ele registrou um Vale do Paraíba “inédito na literatura e no jornalismo regional”.
Com essa insatisfação de viver no campo, Lobato vendeu sua fazenda e se instalou em São Paulo, e com o dinheiro virou definitivamente um escritor-jornalista colaborando com publicações como “Vida Moderna”, “O Queixoso”, “Parafuso”, “A Cigarra” e “O Pirralho” além de continuar a escreve em O Estado de S. Paulo, além de comprar a Revista do Brasil em 1918.
Apesar de morar na capital paulista, suas obras, literárias ou não, sempre tiveram como referência o Vale do Paraíba.
“Monteiro Lobato é um dos escritores mais completos que existiu, ele demonstrava certo descontentamento com a política do Vale, mas sempre suas histórias se baseavam no personagem caipira. A própria história do Sítio do Pica-pau Amarelo mostra isso, mostra aquele carinho pela ‘roça’ que com certeza quando criança viveu”, afirmou a professora de literatura Valéria Guimarães.
Para a docente, ele conseguia colocar em suas histórias uma crítica e ao mesmo tempo mostrar o que existia por dentro das vidas dos moradores de zona rural da região. “Em seus textos infantis a gente pode perceber a transmissão de conhecimentos e ideias”, conclui Valéria.
Estudantes do curso de jornalismo acham importante estudar o escritor, pois apesar de Lobato ter sido conhecido mais pelas suas obras literárias infantis do que pelos seus textos jornalísticos, ele pode ter sido um iniciante do jornalismo literário no Brasil.
“Monteiro Lobato foi uma pessoa que começou primeiro com os textos jornalísticos, mas a partir do momento em que iniciou com a literatura, seus artigos tiveram uma ‘pegada’ literária”, ressaltou a estudante do 4º ano de jornalismo Amanda Simpson.
Portanto, o escritor e jornalista, fez críticas severas ao modo político do Vale do Paraíba, mas usou a essência do modo de viver caipira da região em seus textos, suas histórias para crianças e em seus artigos em jornais, utilizando as crenças, suas própria memórias de criança para enriquecer sua literatura.