Chimarrão uma tradição sulista benéfica à saúde

Por: Karol Alberton

O chimarrão é uma bebida característica da cultura do sul, é composta por uma cuia, uma bomba, erva-mate moída, água quente e tem gosto mais ou menos amargo. Nos países de língua castelhana é utilizado o termo mate que é sinônimo de chimarrão.
Tomar chimarrão é símbolo da hospitalidade sulista, quem chega como visita em uma casa dessa região, é logo recebido com uma cuia de “chima”. Teresinha Alberton, 55 anos e que mora em Dois Vizinhos – PR, consome a bebida desde os 7 anos de idade. “Sempre fui parceira do pai e da mãe para tomar chimarrão, mas naquela época não podia tomar com os adultos, tinha que esperar eles acabarem, para depois podermos tomar”, esse costume passou de pai para filha e a gaúcha que vive no Paraná segue esse costume, tomando a bebida de 2 a 3 vezes ao dia “É quase obrigatório quando chegam visitas ou hóspedes servir uma cuia de chimarrão”, frisa Teresinha.
O chimarrão pode servir como "bebida comunitária", enquanto você passa a cuia para o próximo bebê-lo, ele vai ficando melhor, isso é interpretado poeticamente como você desejar algo de bom para a pessoa ao lado e, consequentemente, às outras que também irão beber o chimarrão. É comum nas cidades do sul os mais “viciados” na bebida, tomarem durante todo o dia, mesmo a sós.
Jaime Alberton, 57 anos, marido de Teresinha, conta que a dona da casa além de preparar o chimarrão para outras pessoas poderem apreciá-lo, é a primeira a beber, em sinal de educação, já que o primeiro chimarrão é o mais amargo. “Lá em casa quem prepara é minha mulher, até porque, eu gosto de tomar, depois que a erva já esta bem lavada e até acrescento um pouco de açúcar”, brinca Jaime. Considera-se uma situação desagradável quando o chimarrão é passado adiante sem fazer a cuia "roncar".
O chimarrão chegou a ser proibido no sul do Brasil durante o século XVI, foi considerada "erva do diabo" pelos padres jesuítas das reduções da cidade de Guaira. A partir do século XVII, os religiosos passaram a incentivar seu uso com o objetivo de afastar as pessoas do álcool, mas, além disso, o chimarrão possui muitas propriedades medicinais e nutritivas.

A bebida ajuda na digestão, é um moderador diurético, estimulante das atividades físicas e mentais, auxilia na regeneração celular e combate o colesterol ruim graças a sua ação antioxidante, elimina a fadiga, contém vitaminas - A, B1, B2, C e E, é rico em sais minerais como Cálcio, Ferro, Fósforo, Potássio, Manganês, um estimulante natural que não tem contra-indicações. O chimarrão atua sobre a circulação acelerando o ritmo cardíaco, por ser estimulante possui também poderes afrodisíacos, graças a vitamina “E” presente na erva-mate, rico em flavonóides (antioxidantes vegetais) que protegem as células e previnem o envelhecimento precoce, tendo um efeito mais duradouro pela forma especial como se toma o mate.
Segundo o médico Dr. Artidoro Balarezo Moral, de Dois Vizinhos – PR, o único maleficio do chimarrão é se for ingerido em alta temperatura. “Não pode consumir a água fervendo, pois pode causar câncer de esôfago, fora isso, em temperatura correta o chimarrão pode ser ingerido de duas a três vezes ao dia”. A bebida previne a osteoporose, fortalecendo a estrutura óssea graças ao cálcio e as vitaminas contidas na erva-mate, contribui na estabilidade dos sintomas da gota (excesso de ácido úrico no organismo), é rico em fibras que contribuem para o bom funcionamento do intestino.
 O chimarrão auxilia em dietas de emagrecimento, atua beneficamente sobre os nervos e músculos é um regulador das funções cardíacas e respiratórias e para completar, segundo o Instituto Pasteur da França e a sociedade científica de Paris, não existe no mundo outra planta que se iguale à erva-mate em suas propriedades e seu valor nutricional.
Ainda hoje é hábito fortemente arraigado no Brasil (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso). Em parte da Bolívia, Chile, Uruguai, Argentina e em todo o Paraguai é tomado frio e o ano todo, e alguns assim o tomam mesmo no inverno, e é chamado de tererê.
A banda gaúcha Engenheiros do Hawaii compôs uma canção chamada "Ilex Paraguariensis", em homenagem ao chimarrão e em 2003, a história do chimarrão virou enredo da escola de samba Aliança, de Joaçaba, em Santa Catarina.