por Mayara Toledo
| A procura de reciclagem no dia-a-dia |
Ali
se inicia a caminhada, na casa de Roseli Monteiro da Silva, catadora de
reciclagem. Há mais de vinte anos encontrou nessa luta a forma de constituir a
sua renda e de sua família, foi assim que criou e hoje tem dois filhos moços,
Josiane Monteiro, 21 anos, e Anderson Monteiro, 22 anos. O tempo passa e
cuidados especiais vem acompanhando a vida de Roseli, seu filho mais velho tem
paralisia mental que foi descoberta nos primeiros anos de vida. Escolas caras e
impossíveis, e inúmeras despesas com médico e remédios, fazem com que as saídas
em busca de reciclagem diminuam. Separando somente as segundas-feiras para sua
busca, sua sorte é seu marido Luiz Carlos dos Santos sai de segunda a sexta em
busca de papeis, papelão, latinhas e metais, que são materiais que acabam
rendendo mais a família. Incerto e corrido assim a vida que depende das
reciclagens encontradas, sem contar um salário mínimo certo para manter o bebê Anderson
que é preciso ser levado dentro do carrinho de reciclagem na hora da longa
caminhada. Alguns auxílios e companheirismos, na trajetória do dia de Anderson e
sua mãe conquistam carinho de uns que oferecem suco e copo de água para
suportar calor e esconder cansaço e uma frase que não some para quem quer que
seja, “Fique com Deus”- abençoa assim que passa essa mulher que carrega o peso
dos reciclados e da limitação de seu filho que precisa de atenção.
O meio ambiente agradece a colaboração da
família de Roseli que vive pra isso, mas é necessário que todos sejam donos da
mudança. A nova lei instituída que bane a utilização de sacolas plásticas no
supermercado, com exceção de produtos a granel, entra em vigor no estado de São
Paulo no dia 4 abril, onde o supermercado não precisará fornecer nenhuma alternativa.
Quantos consumidores, fazendo adaptação dessa nova lei, já não levaram pra casa
caixas de papelão e fizeram descarte dela? Somente em um grande hipermercado
brasileiro é assustador o numero de sacolas utilizadas, chegando a 987.229 em 2012, com aumento
de 10% em relação a 2009. Quantos consumidores não passaram e precisaram de
sacolas e levaram pra casa que agora estão perdidas por não saberem como
descartar, tirando de Roseli pelo menos o acumulado nos supermercados.
Taubaté
então comparece realizando sua parte, com cooperativa que passa recolhendo
reciclados, localizada no bairro Santa Tereza. A falta de investimento não faz
com que seja totalmente viável, Fabiana Aparecida Costa Ramos, tesoureira da
cooperativa que desaprova: “Só temos 2 caminhões e uma van”. Sendo que cada
caminhão possui um motorista e dois ajudantes, e na van um motorista e um ajudante.
E não é possível realizar coleta seletiva em todos os bairros, mas é um desejo
de quem trabalha e vê os resultados. Somente em fevereiro deste ano foram
recolhidos pelo posto 15.738 toneladas de papelão, e as pessoas se desesperam
em casa por não ter espaço para ficar mantendo essas caixas. Enquanto uns
querem se desfazer outros precisam achar para manter sua vida. A cooperativa
conta com 22 funcionários, que realizam o processo de prensagem dos materiais,
incluindo papeis, metais, plásticos, vidros, etc. Para eles conviver com os
reciclados faz parte, pois muitos deles um dia viveram em lixões e dependiam de
recorrer a essa forma de renda para viver, como Roseli que o faz ate hoje. O
que muda para esses catadores é a certeza do salário que chega cada mês.
| Roseli e Anderson pelo centro da cidade de Taubaté |
Buscando
conscientização já temos projeto reciclar, que teve inicio na UNITAU com professor
Paulo Fortes Neto, que realiza separação do lixo e reciclado. Já houve inicio
do projeto e precisou que ficasse parado por 1 ano e meio, por falta de recurso
que pudesse fazer coleta. Agora tem parceria com a cooperativa no Santo Tereza
que uma vez por semana passam pra recolher em departamentos que já tem um
representante que orienta os funcionários da limpeza a não misturar lixos de
banheiro com outros. Esse ano o Reciclar recomeça, está como um filho que
precisa crescer, mas ele começa engatinhando. “Até eles verem que esse projeto
não é do professor Paulo Fortes é da Universidade, mas ainda está muito ligado
a pertencer ao professor Paulo Fortes. Não percebem que isso é deles, de toda
instituição”, se decepciona Paulo e espera que para que esse ano cada pessoa
possa se comprometer e pelo menos na Universidade conseguirmos realizar a
separação devida desse lixo.
O
mundo é nossa casa e dependemos dele pra viver, façamos como Roseli, salvemos o
mundo, sem ele não adianta horas de trabalho sem um lugar para o lazer.