Vários quilinhos a mais incomodam muita gente

A evolução da obesidade infantil assusta pesquisadores, médicos, pais e professores. Como ajudar os pequenos a terem uma melhor qualidade de vida


Por Juliana Verri
                                                                           
                                                             Shutterstock

Dois hambúrguers, alface, queijo, molho especial, cebola, picles e um pão com gergelim. Se enquanto você lia uma musiquinha veio à sua cabeça, você é da geração Big Mac. O sanduíche da rede Mc Donalds é um dos mais amados por pessoas de diversas gerações. Seja jovem ou idoso, ninguém é indiferente ao lanche, mas algo vem acontecendo e atingindo as mais recentes gerações: a obesidade infantil.
Recentemente, o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – apontou que uma em cada três crianças são obesas no Brasil. O número de crianças acima do peso no país já é proporcionalmente igual ao dos Estados Unidos. E isso se deve em grande parte da má alimentação (Veja as medidas que dificultam ao acesso de alimentos) que tem em sua dieta muitas frituras, açúcar, massa e poucos legumes, verduras e frutas. Além disso, a má disciplina física contribui para o aparecimento dos quilinhos a mais, ou em casos mais sérios, doenças como colesterol, diabetes, triglicérides, doenças antigamente tidas para pessoas mais idosas. “Quando a gente busca o problema da obesidade infantil, a primeira coisa que as pessoas pensam é na alimentação, que representa 20%. Os 80% restantes são falta de exercícios. No passado, as crianças gastavam de mil a 1.500 calorias a mais porque se movimentavam mais”, revela o preparador físico Marcio Atalla, conhecido pelo quadro Medida Certa apresentado no Fantástico.


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Com a vida agitada da cidade, as facilidades dos fast foods, e o acréscimo de carro, elevador, videogames fizeram com que as crianças – e não somente elas – se acomodassem (Veja o link Brincadeira de criança como é bom, como é bom)  e acumulassem mais energia (ou gordura) do que o necessário.  Para Márcio Aldecoa, professor de educação física e pós-graduado em Ginástica Especial Corretiva e Ergonomia, as escolas possuem papel fundamental na evolução da conscientização da criança na relação entre exercício e saúde nas aulas de educação física.  O básico como pular, saltar e correr faz a ligação direta aos pequenos no sentido de entender o que faz bem a eles”, ressalta ele”.


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Brincadeira de criança, como é bom, como é bom...

                Saúde frágil não é apenas para aqueles que fazem o ponteiro da balança subir mais não. Quem não se lembra do Willame: um garoto de 11 anos muito esperto, magro, e com colesterol alto, no início do programa “Medidinha Certa” exibida no Fantástico? Essa é a prova de que o sedentarismo esconde males muitas vezes que passam despercebidos. O educador Mauro Guiselini dá dicas simples para fazer a criançada “correr atrás do prejuízo”. “Para sair do sedentarismo, recomendo pedalar, correr, jogar basquete, vôlei, futebol e outras atividades de socialização”.


Para os pais, vale também aquele passeio no parque com o Totó, ou até mesmo com a magrela de sempre. Também há o carro para lavar, a grama para aparar. Fazer do seu filho um ajudante, pode ser um bom método de mantê-lo ativo e eliminando o que houver em excesso. Com um pouco de criatividade e espaço – pode ser no parquinho ou na praça – brincadeiras simples, como pega-pega, pique-esconde ou amarelinha, são alternativas divertidas para perder peso e ganhar saúde brincando. 

Governo mostra preocupação com tema e lança campanha contra a obesidade infantil

                 Durante a segunda semana de março, o governo lançou a campanha contra a obesidade infantil. Equipes de saúde apresentaram em 3 mil escolas públicas do país atitudes que levem a uma saúde mais balanceada e saudável. "Tem coisas que eu não consigo fazer, porque sou gordo. Não consigo correr muito, jogar futebol muito bem, não consigo subir numa árvore", revela Vitor Araújo, estudante.