Por Raphaela Gomes
Quem pensa que futebol feminino é novidade, está muito enganado. Em 1898, mulheres disputaram a primeira partida de futebol em Londres, entre Escócia e Inglaterra. No Brasil, a primeira partida de futebol feminino foi realizada em 1921, em São Paulo, onde se enfrentaram os times das senhoritas catarinenses e tremembeenses.
Porém, para nós, o que hoje é normal, levou muito tempo para ser conquistado. Em 1964, o Conselho Nacional e Desportos (CND), proibiram as mulheres de praticar o esporte no Brasil, sendo revogada somente em 1981. Desde sempre, o futebol feminino sofre a lástima do desprezo, e muitas vezes, tem o seu fim por falta de patrocinadores ou de estímulo do governo.
Mas apesar das dificuldades, quem não sonhou em ser um jogador de futebol? Entrar em campo, atualmente, pode ser feito de modo charmoso, mas sem que a essência do esporte seja perdida. É o caso de Ana Caroline Martins Rodrigues, mais conhecida como Carol Baiana, jogadora do time Vitória, em Pernambuco.
Baiana, tem paixão imensa pelo esporte, e ao ver a condição de desestímulo do futebol feminino em seu estado, tornou-se embaixadora de dois projetos sociais: O Love Futbol e o Guerreiras Project. As atividades desenvolvidas pelos projetos acontecem ao menos uma vez por mês, onde são realizadas oficinas em comunidades carentes e visitas que vão de palestras a atividades recreativas.
Vários fatores a motivaram para a realização dos projetos. Dentre eles, mobilizar o maior número possível de pessoas para uma causa comum. Partindo de princípios legais e afastando-as do mau caminho, além de contribuir para a formação dessa nova geração. Os trabalhos são realizados especialmente em comunidades carentes, escolas e escolinhas de futebol.
O primeiro projeto trata-se de uma ONG que disponibiliza materiais para comunidades carentes, com o intuito de construir um espaço físico para que moradores possam praticar a modalidade em local seguro. Nas ruas existe o perigo dos veículos de transporte que transitam de um lado para o outro, oferecendo riscos de atropelamento para as crianças que gostam de jogar futebol. “Queremos construir um local seguro para que possam jogar sem se machucar” – diz Baiana.
Já o segundo, trata-se de um projeto que se desloca até os locais construídos pelo Love Futbol, para que seja introduzido o futebol feminino na tentativa de influenciar meninas a ingressarem na carreira. “Procuramos mostrar o que o esporte já nos proporcionou, como os lugares que conhecemos e até mesmo bolsas de estudos oferecidas. Assim, mostramos as oportunidades e tiramos as crianças do tráfico, o que é comum hoje em dia nas comunidades carentes, queremos mudar essa realidade” – relata Carol.