Desafios e superação: prática esportiva proporciona melhor qualidade de vida aos deficientes visuais

Por Vivian Gasperotto

Atualmente, estima-se que existam 180 milhões de deficientes visuais em todo o mundo, sendo que 45 milhões de pessoas são cegas 
e 135 milhões apresentam algum tipo de baixa visão. Somente no Brasil, existem cerca de 12 milhões de deficientes visuais.


Enfrentar a jornada diária não é tarefa fácil. Atos cotidianos como pegar um ônibus, atravessar uma rua, andar por uma calçada com obstáculos torna-se um desafio.  Para lidar com as dificuldades e promover a integração, reabilitação e aumento da auto estima de pessoas com deficiência, a maneira mais efetiva é a prática esportiva.

O presidente da Federação Paulista de Desportos para Cegos e, também, presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Taubaté e Vale do Paraíba (ADV Vale), Luiz Antônio Pedrosa, afirma que a Associação – que desenvolve atividades em diversas áreas: educação, cultura, esporte, saúde e mercado de trabalho – considera o esporte para deficientes a principal ferramenta para a inclusão do portador na sociedade. “Através do esporte, o deficiente visual adquire equilíbrio, noção espacial, concentração. O esporte favorece a orientação e mobilidade, gerando a independência. É notório tanto para nós, quanto para leigos, a diferença entre quem pratica e quem não pratica o esporte”, ressalta Pedrosa.

A Federação Paulista de Desporto para Cegos (FPDC) é responsável em agremiar modalidades, atletas e entidades no estado de São Paulo, a fim de dar destaque às capacidades das pessoas com deficiência visual, O quadro competitivo estadual desenvolvido pela Federação tem as seguintes modalidades: atletismo, futebol, goalball, natação e xadrez. Qualquer pessoa com algum tipo de deficiência pode praticar uma modalidade desportiva na vertente amadora ou de alta competição, desde que as regras estejam adaptadas à sua deficiência.

E os esportes não se limitam. Alessandro Braga Luiz, deficiente visual parcial, pratica esportes desde pequeno – já passou por natação, capoieira, goal ball, jiu jitsu – e, há três anos treina judô. Nesse ano, recebeu medalha de ouro na 1ª Copa São Paulo de Judô, na categoria B2 – vidente parcial –, no 3º Jogos Paulista do FPDC. “Para mim, o esporte é muito bom, me sinto bem e quebro barreiras mostrando para as pessoas normais que a gente também fazer esporte sem problemas”, revela ele.

O impacto inicial para quem não conhece os esportes adaptados é de surpresa, porém essa situação vem mudando, e o fascínio pela dinâmica do jogo só aumenta. Esses atletas são verdadeiros exemplos de determinação e prova de que a deficiência visual não é uma limitação.