A vez delas


O futebol historicamente é masculino. Chuteira, meião, caneleira, camisa. Objetos muito agressivos, que não se misturam com o universo elegante das mulheres. Sapato, perfume, vestido. Isso sim é coisa feminina.

Por: Daniel Pascotto e Mayara Lopes

Essa opinião citada acima deve pertencer ao século passado. Hoje, a situação é bem diferente. A inserção da mulher no esporte das quatro linhas não é só uma questão esportiva, mas também, sociocultural. “Jogo futebol desde os 14 anos, treinava todos os dias, agora o trabalho e os estudos dificultam um pouco, mas quero jogar para o resto da vida.” diz Joelma dos Santos, 19 anos, jogadora da seleção de Caçapava.


Meninas do futsal de Caçapava em ação na Copa Vanguarda
A declaração da atleta caçapavense vai ao encontro da atuação do time dentro dos campos. A equipe do Vale do Paraíba foi bem na Taça Vanguarda de 2010, com o terceiro lugar, em uma categoria que os homens não tem vez. O sapato, o perfume e o vestido ficaram de lado. A bola da vez é a chuteira.

Mas há quem diga que entre o futebol feminino e o masculino não haja muitas diferenças. José Afonso da Fonseca, técnico da seleção caçapavense de futebol feminino, tem sob sua tutela 30 meninas com uma só paixão, o futebol, e afirma que a rotina de treinamentos não é diferente para rapazes e moças. “Para fazer futebol tem que gostar de verdade, é cansativo, muitas delas trabalham e estudam, não fazem corpo mole nos treinos. Esta equipe representa Caçapava muito bem, dá destaque ao município, é compensador”

O lado sociocultural desta história está engajado desde o começo da inclusão feminina no esporte. O apito inicial da invasão do sexo mais frágil originou-se, no Brasil, em boates gays da Capital Paulista, na década de 70. Outros historiadores afirmam que a primeira partida de futebol feminino no país foi realizada em 1921, em São Paulo. Esta história quase teve fim em 1964, quando o Conselho Nacional de Desportos proibiu a mulher de disputar o esporte mais querido do Brasil.

Apesar da proibição, ligas femininas foram criadas, e o preconceito foi pra escanteio. Os anos 80 abriram caminho para a substituição do vestido pelo calção, da meia três quartos pelo colorido meião de futebol. Daí pra frente, não tem cartão vermelho que impeça o avanço feminino, desde o primeiro minuto até o apito final.