Consciência ecológica atinge as figureiras



Por: Letícia Eschechola e Ygor Asmar

O barro sempre teve uma relação histórica com o homem, por ser um recurso natural de fácil manipulação e acesso. No entanto, assim como outras matérias-primas, sua utilização a cada dia está mais limitada.

A argila é um exemplo desse recurso que passou a ser uma importante fonte de renda para pessoas que sobrevivem do artesanato. Em Taubaté, as figureiras dependem desse material para suas atividades.

Além do artesanato com argila ser um marco na cultura da cidade, também promove o turismo e fortalece a renda das famílias que dependem dessa atividade. Porém, o material está escasso. “Com a falta da argila que é nossa matéria prima principal pra trabalhar, tivemos que começar a pensar em outro jeito de dar continuidade sem agredir a natureza e sem ficar desempregada”, conta dona Lourdes Melo, que trabalha no ramo há mais de vinte anos. Cecília da Silva, ajudante de dona Lourdes continua nos explicando: “De primeiro nós pegávamos a argila da beira de um rio aqui de perto, mais com o tempo isso foi causando erosões e nós fomos proibidas de fazer essa retirada”.

Com essa proibição as figureiras foram obrigadas a encontrar uma alternativa para continuar trabalhando. “Hoje em dia ou nós usamos uma espécie de argila artificial ou compramos de industrias que possuem a permissão de exploração”, conclui Cecília.
Janete Moura, apreciadora do artesanato fala com admiração sobre o trabalho das figureiras: “A forma com que elas combinam delicadeza e rusticidade é única, já comprei várias peças, se eu tivesse condição com certeza daria algum tipo de patrocínio para elas comprarem a argila, as empresas deviam pensar nisso, afinal as figureiras são patrimônio da nossa cidade”.

Mara Motta, professora de biologia, explica um pouco mais sobre o problema da retirada da argila da natureza: “Essa argila é retirada da margem de rios, e isso aos poucos provoca erosões no solo, que aparentemente não parece ser nada prejudicial, mas com passar do tempo pode provocar deslizamento de encostas”.
“Se conseguimos o respeito ao nosso trabalho, temos que dar o mesmo à natureza, se isso dificulta ou não, é outro assunto, quem respeita nunca sai perdendo, de um jeito ou de outro nosso trabalho continua, e nós, as figureiras continuaremos por muitos e muitos anos, de avó pra filha, de filha pra neta e por aí vai”, conclui, emocionada, Dona Lourdes.