A jornalista fala sobre sua trajetória e sobre o mercado de trabalho para o profissional de hoje.
Fernanda Mello tem 39 anos e é jornalista especializada em assessoria de imprensa e produção de moda. Desde o início de sua carreira, se envolveu diretamente com a arte e a gastronomia. Fernanda é pouco supersticiosa, mas acredita que seu signo, aquário, tem tudo a ver com a sua profissão. Pois desde pequena, sempre escreveu e sempre foi comunicativa.
Por Marcos Fernandes
É apaixonada pelo colunismo social, tema que ela inclusive se orgulha de ter abordado em seu trabalho de graduação na época da faculdade, por acreditar que os profissionais que atuam neste seguimento não são levados a sério como deveriam. Atuou na cobertura do São Paulo Fashion Week por três anos, trabalhou com grandes empresas com e esteve ao lado de pessoas importantes ao longo de mais de uma década de trabalho na capital São Paulo. Agora, a jornalista explora uma nova vertente de sua carreira, desenvolvendo um ofício com mídias sociais com clientes dos ramos da moda e da beleza no Vale do Paraíba.
Vale Repórter: Como você iniciou na área do jornalismo de moda?
Fernanda Mello: Eu comecei num estágio ainda na faculdade com uma jornalista super incrível lá de São Paulo e ela fazia assessoria para algumas marcas e personalidades. Então eu cuidei do grupo Malwee, que é um grupo do Sul e aí eu comecei a me interessar pelo jornalismo de moda através da Malwee.
VR: Quais as dificuldades encontradas na área?
FM: A maior dificuldade é o registro de jornalista. Eu não tenho nenhum registro na minha carteira de trabalho. Eu tenho o MTB, mas o registro em assessoria de imprensa é uma coisa que não tem em São Paulo. Eles te contratam como um assistente de marketing, produção, sempre para rebaixar e pagar por fora. Então eu acho que essa é uma dificuldade que existe até hoje no meio.
VR: Qual é a sua área de atuação hoje em dia?
FM: Eu me especializei em mídias sociais. Eu trabalho com nove clientes e faço páginas no Facebook com um texto conciso e curto, alimentando as páginas do Facebook. Hoje esse é meu diferencial. Eu trabalho com o retorno. Se eu posto um corte de cabelo de um salão que eu assessoro, eu quero que tenha repercussão para esse profissional.
VR: Quais são suas influências?
FM: Eu gosto do colunismo social, do trabalho do Amaury Jr, do Ibrahim Sued, da Hidelgard Angel, etc. Eu atendi no começo da minha carreira algumas pessoas, como a Roberta Miranda, fazendo toda assessoria de imagem dela enquanto celebridade e depois eu fui seguindo para o universo da moda. Tem a Andréia Dantas que na época era diretora da Caras. Também tem o César Giobbi que era colunista do caderno 2 do estadão, um jornalista renomadíssimo que também foi uma inspiração.
VR: Que momentos da sua carreira você gostaria de destacar?
FM: São Paulo Fashion Week. Eu cobri três edições e foi maravilhoso. E também o lançamento do filme 400 contra 1 que tinha o Daniel de Oliveira e foi lançado na Daslu. Foi um evento muito esperado e eu acabei ficando responsável junto com a minha equipe. Fui ao Ronnie Von para algumas apresentações de clientes meus que eram chefs de cozinha e participavam de programas. Conhecer o Ronnie foi algo único. Ele é uma pessoa de uma sabedoria incrível. Também assessorei algumas pessoas que participaram do programa da Eliana.
VR: Com quais personalidades você já teve oportunidade de trabalhar e como foi essa experiência?
FM: Eu fazia um buffet de aniversário de filhos de famosos em Moema/SP, onde eu estive próxima de muitas pessoas. Eu via Ticiane Pinheiro, Roberto Justus, Otávio Mesquita, Beth Szafir, etc. Mas eu estive mais próxima da Roberta Miranda. Ela era extremamente humana. Ela mandou me entregar todos os CDs e DVDs autografados dela para que eu desse para a minha então sogra que tinha câncer. Foi muito generosa.
VR: Então você é contra a não obrigatoriedade do diploma?
FM: Sim. Tem que ter o diploma. Você estuda por quatro anos, entrega um TCC, se prepara e estuda para de repente se deparar com alguém trabalhando do seu lado e que se diz jornalista sem ter passado por nada disso. Acho que tem que ter sim e tem que ter o MTB.
VR: O que as redes sociais permitiram aos jornalistas, que antes não era possível sem elas?
FM: Muitas coisas. Tudo que você precisa, você acha lá. Tudo que você quer saber sobre uma marca ou alguém está nas redes sociais. Então, antes se eu quisesse saber sobre uma pessoa, eu teria que procurar no Google, ler um livro sobre ele, ou ver se ele tinha um site próprio, ou tentar falar com a assessoria de imprensa, se eu precisasse de uma entrevista e hoje não. Está tudo nas redes sociais.
VR: Quais nomes do mundo da moda vão ter cada vez mais atenção da mídia? Por que?
FM: Eu gosto do Vitorino de Campos, Patrícia Bonaldi, Amir Slama que já na estrada mas agora voltou com uma concepção nova masculina, junto com o Yan Acioli na direção, que hoje é o stylist de celebridades como Sabrina Sato e Cláudia Leitte. Existe um evento ótimo de moda que já vem de antes do fashion week que é a Casa dos criadores. De lá saíram grandes nomes, como o Alexandre Herchcovitch, por exemplo
VR: Como o Facebook oferece oportunidade de trabalho aos jornalistas como ferramenta profissional?
FM: Eu conheço poucas pessoas que fazem o trabalho que eu faço de gerenciar páginas. Mas em São Paulo, eu sei que tem empresas que contratam estagiários só para isso. Eu acho que é uma carreira promissora. Inclusive eu até peço a vocês, estudantes, que aprimorem isso. Deviam ter mais pessoas na área. Aqui em Pindamonhangaba, onde eu resido, por exemplo, eu não conheço ninguém.
VR: Como você avalia o mercado de trabalho para o jornalista da região?
FM: Não tem emprego. Ou você tem contato nas prefeituras e trabalha com política, tem o jornal da cidade que daí tem pessoas contratadas e concursadas. E as revistas, todas que tinham aqui em Pinda, a maioria delas fecharam. A Personi, a Vitrine. Então tem pequenos jornais locais que não tem uma pauta jornalística, são mais guias que servem para arrecadar dinheiro dos anunciantes e fechar publicidade.
