O caçapavense Jorge Carvalho, de 19 anos, entrou no avião que iria levá-lo a Londres em 24 de dezembro de 2004. Nada mais natural que ele partisse, pois, desde menino, se encantava com a língua inglesa ouvida nos desenhos aos quais assistia na TV paga.
Por: Mauricio Nascimento
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| Dublin, capital da Irlanda, é um dos destinos mais cobiçados pelos estudantes brasileiros. |
Na manhã do dia 25, o avião pousou no aeroporto de Heathrow, na enevoada capital britânica. Após desembarcar, Jorge pegou um metrô e desceu na estação Piccadilly Circus e voltou a se fascinar com uma realidade que já tinha vivenciado quando estivera por lá.
Londres se mostrou para Jorge como a uma cidade onde o moderno coexistia com o antigo. Embora também seja conhecida como o Velho Continente, a Europa tem países que podem oferecer toda a modernidade de serviços e produtos que compõem o mercado de uma nação de primeiro mundo.
Outro fator espantoso que faz parte da atmosfera de Londres é a quantidade de brasileiros que ali residem. Quando Jorge estava se habituando à cidade, enquanto pegava o ônibus, notava que a maioria dos brasileiros usava da famosa “malandragem” para não pagar a passagem. Como nos ônibus não existem cobrador que recolha dinheiro, todo morador que deseje desfrutar dos confortáveis transportes londrinos deve carregar um cartão, e, ao embarcar no veículo, este deve ser apresentado ao motorista.
Como o condutor não tem tempo de verificar a validade de cada cartão que lhe é mostrado, a maioria dos brasileiros entrava rapidamente no ônibus com fingida pressa, e tampava de maneira “acidental” a data de vencimento do cartãozinho com o dedo indicador.
O único cuidado que se deve tomar em situações como esta é não correr o risco de embarcar junto com um fiscal que esteja fazendo uma verificação rotineira, pois, se este descobrir que existe um passageiro desfrutando do transporte público com cartão vencido, atribuirá ao engraçadinho uma multa de três mil libras pela infração.
Dois anos depois de ter partido para Londres, em dezembro de 2004, Jorge voltou para o Brasil. Além de ter estudado inglês durante um ano na capital inglesa e francês durante seis meses em Paris, estudou o islandês por um semestre em Reiquiavique, capital da Islândia. O brasileiro voltou a morar em Caçapava. Nada mais natural que retornasse, pois, por mais que se viaje, existe a necessidade do homem voltar às suas raízes. Contudo, em vez de admirar a torre Eiffel e a arquitetura de Londres, restou a ele contemplar a Praça da Bandeira.

